um baladeiro do asfalto

Quase dez anos após sua estréia em disco, o maranhense Zeca Baleiro lança seu primeiro registro ao vivo: mais que um mero greatest hits, revisão de carreira com pitadas de alheio. Com propriedade.

por Zema Ribeiro*

A crítica torceu o nariz quando Zeca Baleiro deu uma guinada em sua bem sucedida trajetória acústica – com pitadas eletrônicas aqui e ali – e partiu para o disco mais rock’n’roll de sua carreira, o obscurecido pela própria crítica “Baladas do asfalto e outros blues” (2005). Ainda bem que o artista – que sabe ter que ir onde o povo está, como canta outro – nunca precisou da senhora dona crítica para dizer-lhe o que fazer.

Quase dez anos após seu disco de estréia – “Por onde andará Stephen Fry?” (1997) – Zeca, cuja videografia já é vasta, chega ao primeiro disco ao vivo. “Baladas do asfalto e outros blues ao vivo[MZA Music/Universal, 2006, R$ 35,00] não funciona somente como uma “revisão de carreira” ou coisa que o valha. Quase a metade das músicas é do disco do ano passado: “Versos perdidos”, “Meu amor minha flor minha menina”, “Cachorro doido”, “Flores no asfalto”, “Balada do céu negro” e “Alma nova”. De outros discos estão lá “Heavy metal do Senhor” (da estréia), aqui um acelerado country, “Telegrama”, “Fiz esta canção” (de “PetShopMundoCão”, 2002) “Babylon” e “Quase nada” (de “Líricas”, 2000), emendada com “Amor” do grupo Secos & Molhados, clara influência de Zeca, que já os havia homenageado em “Vô Imbolá” (1999), único disco que não trouxe músicas a este “ao vivo”.

O disco se completa com releituras: as (cool-)bregas “Retalhos de cetim”, de Benito de Paula, e “Palavras”, de Roberto Carlos e Erasmo também, e a “maldita” setentista composta em homenagem a Raul Seixas, “Não adianta”, do conterrâneo do rei, também já reverenciado por Zeca em outras ocasiões, Sérgio Sampaio, de quem o maranhense produziu o póstumo e belo “Cruel” (2005).

Do pequeno, esquecido e “obscuro” Maranhão para o mundo, Zeca Baleiro, um homem das multidões, um artista pop, sem a diminuição que este rótulo por vezes implica. Na verdade, Baleiro nem cabe em rótulos. E a multidão, no caso, é bem maior que o público presente ao Teatro do SESC Pinheiros (São Paulo), na última noite de São João, data da gravação destas belas baladas e destes outros blues.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo

[o texto acima foi publicado no jp turismo, jornal pequeno, dia 20/10, sexta-feira passada]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

4 comentários em “um baladeiro do asfalto”

  1. mas tu também diz que eu não visito o teu, o que não é verdade, risos. uma amiga minha estava reclamando do preço do ingresso do show de zeca aí. como zeca vale a pena e tudo aí em brasília é caro mesmo, não sei o que dizer. vou ver a entrevista da ceumar hoje à noite. abração!

  2. Muito bacana. Sou fã do Zeca Baleiro, apesar de não muitos disco dele, e ter que baixar algumas músicas pela net … hehehe … Gostei muito da matéria. Gostaria de saber se alguém tem previsão de quando o Zeca parece por esta bandas aqui do Maranhão ???Um abraço Zema de um internauta-leitor assíduo(ou quase) do seu blog …

  3. agradeço a presença e os comentários, jandré. e fico feliz que tenhas gostado. eu não tenho previsão de vinda dele, mas assim que acontecer, este blogue noticia, risos. abração!

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