a batina de "padre" barnabé: amigo arrigo tributa itamar

Arrigo Barnabé grava missa em latim em homenagem ao amigo-parceiro Itamar Assumpção.

por Zema Ribeiro*

Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção surgiram artisticamente na mesma Londrina, interior do Paraná, ainda na década de setenta, século passado. Além dessa semelhança, outras lhes são guardadas: gênios da música brasileira, pouco toca(ra)m no rádio e fizeram discos tão “difíceis” (para os ouvidos acostumados com o padrão “clichê-chiclete” do que é tocado ali desde sempre) quanto fundamentais (para ouvidos que se apaixona(ra)m pela “vanguarda paulistana” após a primeira audição) da música (im)popular brasileira.

O primeiro, compôs diversas trilhas para cinema e teatro e não tem, ainda, o reconhecimento que merece; o segundo, apesar de autor de diversos sucessos de Zélia Duncan e Cássia Eller, idem. Em “Amigo Arrigo” (música de “Pretobrás”, disco de 1998), Itamar cantava “tenho um amigo chamado Arrigo / o resto, depois eu digo”. Não deu tempo: o músico faleceu em 2003, vítima de câncer no estômago.

Fugindo das obviedades – marca de sua trajetória artística ímpar – Arrigo Barnabé não fez o que poderia parecer (e seria, não?) mais fácil: regravar canções e/ou produzir um tributo ao amigo, ou coisa parecida. Foi além: compôs e gravou uma missa (em latim) tributando o “negão” – como Itamar era carinhosamente chamado pelos amigos. As cinco faixas do disco seguem o ritual católico: kyrie, gloria, credo, sanctus e agnus dei. Citando a obra de Itamar, ouve-se, logo na primeira faixa, “Be-ne-di-to João dos San-tos Sil-va Be-le-léu Ky-ri-ne-go di-to e es-tá no céu”, singelo canto/cântico (dos cânticos) das mais de trinta pessoas – regente, cantores e instrumentistas – que participaram da gravação, realizada entre os últimos 2 e 4 de abril.

Missa in memoriam Itamar Assumpção[Thanx God, 2006, R$ 15,00] não é um disco fácil: é uma bela celebração de amizade, cumplicidade, admiração. Cantado/a em língua morta, homenageia o importante Itamar, vivíssimo, ao menos para o seu fiel séqüito de fãs, quase sempre comum ao do amigo Arrigo.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

[na primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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