um filme literário de bunker

ok, a resenha abaixo, nossa modestíssima colaboração ao jornal pequeno de hoje (primeira classe, jp turismo), ficou meio assim, aqueles textos penduráveis em sites e encartes com o intuito de vender. e talvez seja esta, realmente, a intenção. é ou não é? “o menino” é um bom livro, vale a pena, cada página, urgente e violenta, quando vamos nos perguntando o que acontecerá a alex hammond na página seguinte. ou quando nos emputecemos e perguntamos: será que este menino não se emenda(rá) nunca? ok, não vou contar-lhes a história, um verdadeiro filme literário, se é que isso existe. o fim? bom, não sei se o menino teve o fim que merece(ia), mas como bons filmes (novelas?), não há como agradar a gregos e troianos. só posso repitir: vale (muito) a pena.

Experiências violentas

Terceiro romance de Edward Bunker é relançado 25 anos depois. Fábula sem (falsa) (lição de) moral.

por Zema Ribeiro*

Talvez Edward Bunker seja mais conhecido por sua atuação no cinema (como ator e roteirista) que por sua obra literária. Quiçá as duas coisas estejam interligadas, dada a forma com que constrói a segunda – particularmente no romance “O menino[“Little boy blue”, tradução de Francisco R. S. Innocêncio, Editora Barracuda, 2006, 426 páginas, R$ 45,00], talvez pela urgente violência de retratar esta.

A fábula – sem moral ou (falsa) lição de – de Bunker se passa na década de 40, século passado, e conta a saga do menino órfão Alex Hammond; ou antes, a história da destruição de sua infância, transtornado e transformado que é, pela vida, num ser amargo, perambulando entre escolas militares, reformatórios, hospitais psiquiátricos e toda a sorte de estabelecimentos prisionais a que “delinqüentes” podem ser confinados, além de suas fugas constantes dos mesmos.

Lançado originalmente em 1980, “O menino”, terceiro romance de Bunker, é obra de ficção, embora se percebam ali, pitadas da experiência própria do autor, falecido em 2005, aos 71 anos: ele, outrora criminoso e prisioneiro, o mais jovem a chegar a San Quentin, cadeia americana especializada em “guardar” homens à espera de cadeiras elétricas e/ou condenações homicidas similares – e que gerou outros criminosos-escritores, a exemplo de Caryl Chessman, o autor de “2455 – Cela da morte”.

Outros títulos de Bunker traduzem a violência a que o autor – como o protagonista de “O menino” – sempre esteve exposto: “Cão come cão”, ”Nem os mais ferozes” e “Educação de um bandido”, este, sua autobiografia dedicada a seu filho, todos lançados também pela Barracuda.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

2 comentários em “um filme literário de bunker”

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s