viva o forró, porra!

Recebi alguns e-mails elogiando, outros criticando, os comentários que fiz, recentemente, aqui no JC, sobre a produção atual do forró dito pé-de-serra. Os que criticaram, sugeriram que eu fizesse o mesmo com os discos das bandas, ditas de forró eletrônico. Do forró, dito pé-de-serra me ocupo, porque gosto, foi a música com a qual cresci. O forró dito eletrônico, assim como disco de Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, sertanejos em geral, Calypso e bregas em geral estão acima da crítica. Saia Rodada, Cavaleiros do Forró, Forrozão Chacal, Mulheres Perdidas, Aviões do Forró, etc. etc., não é forró. Pelo contrário, prejudica o forró, porque tem público. E tem o mesmo público que teve o gosto musical embotado pela axé music. Para este o que vale é a multidão, a turba. Podem botar um poste em cima de um caminhão, em silêncio que eles vão atrás.

Estas bandas são mais um fenômeno sociológico* do que musical. Aliás, a música é uma mistura de lambada com a coreografia aeróbica da axé, letras de música sertaneja, no início – e hoje de um erotismo grosseiro, com trocadilhos infames e de mau gosto.

Embora se digam de forró, a sanfona está ali apenas para justificar o “forró” no nome do grupo, o que sustenta as melodias pobres e repetitivas, são os sopros e metais, estes muito bons, tocados por músicos calejados. Como elas são as preferidas das prefeituras onde há grandes arraiais, a tendência é o forró continuar perdendo espaço para as bandas.

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o texto acima é do sempre lúcido josé teles, de sua coluna “toques”, no jornal do commercio, de pernambuco. quem me enviou, por e-mail, foi o amigo glauco barreto, que recentemente passou pela ilha.

os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue sabem o que penso sobre o assunto. e preferia que músicas (?) como esses pseudo-forrós não tocassem em ambientes que freqüento. mas é quase impossível escapar disso: ônibus, bares, lares, é uma praga.

que não me contagie! amém!

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[*escatológico, eu diria.]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

2 comentários em “viva o forró, porra!”

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