8/8/8: UM ANO SEM VIANA

Nada evoca de especial, em mim, a data de 8 de 8 de 8, isto é, oito de agosto de dois mil e oito. A não ser o fato de meu avô materno, Antonio Viana, completar um ano de falecido, nada mais há de importante. Quer dizer, talvez até haja, mas não pela data em si, a combinação de três oitos e todo o blá blá blá que a cerca.

Com bastante emoção, li o texto que Ricarte escreveu em homenagem a seu pai, com quem aprendeu a amar o choro e a boa música. Lembro de escarafunchar a coleção de vinis de meus avós e começar a ouvir e gostar de Gal Costa, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano e Roberto Carlos. Era até engraçado uma criança ouvindo “música de velho”. Como é engraçado, até hoje, embora eu não seja mais criança – será?

É duro, hoje, ouvir Naquela mesa, que Sérgio Bittencourt compôs quando perdeu seu pai, ninguém menos que Jacob do Bandolim. A canção imortalizada por Nelson Gonçalves é duro golpe. Vovô não tocava bandolim, nem qualquer outro instrumento. Ocorrem-me lembranças daquele senhor me levando ao jardim de infância de bicicleta, fazendo a feira. Depois, a gente bebendo cerveja na cozinha da casa onde hoje vovó ainda mora e onde morei até meus sete anos de idade, em Rosário. O dominó na mesa da cozinha, ele, jogador habilidoso, sempre de “peru”, opinando sobre essa e aquela jogada. De seu corpo magro, lado esquerdo paralisado e a tremenda dificuldade para caminhar em seus últimos dias, prefiro não lembrar.

Vô, que Deus te abençoe aí, para que você me dê a bênção cá.

Aos leitores, um feliz dia dos pais!

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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