(MEIO-)DIÁRIO

Madrugada do dia de chegada

Após trocarmos mensagens, eu no táxi, o aeroporto longe pra caralho do hotel, a corrida, 50 paus, ficha de hospedagem no balcão, quarto no quinto andar. Moído, as duas camas vazias. Ocupo a minha e, apesar do cansaço (a dor no ouvido tinha diminuído graças a um comprimido que Ester me deu na escala em Recife), não consigo pegar no sono. Não consigo ligar o abajur e, para não dormir na total escuridão, deixo uma luz acesa que acaba clareando demais. Penso: se os que dividirão o quarto comigo chegarem, deverão bater, e se eu não acordar?

Acordado, penso em ti. “Eu adormeço pensando em ti”, como na canção.

Manhã do dia seguinte

O Oi passou a noite ligado, com o despertador programado para às 7h15min. Antes, alguém da Secom me liga. Deixo tocar até cair a ligação. Desprogramo o despertador e desligo o telefone.

“Eu amanheço pensando em ti”, como na canção (cujo resto da letra eu não lembro, risos). Lembro de ti dizendo de minha lerdeza para tomar banho. O treinamento marcado para as 8h. (São mais de 9h, enquanto escrevo, e ainda não começou). Demoro cagando, demoro banhando. Café: dois tipos de pão, queijo, presunto e suco de goiaba. Razoável, se não estás a meu lado mandando-me comer mais, não?

“Eu tomo café pensando em ti”, penso que o compositor poderia ter escrito.

Apresentação, manhã de 26

Uma roda, onde cada qual se apresentava e cantava uma música de seu estado de origem, dançando no centro e convidando o próximo a dançar e se apresentar.

Ester cantou Lua cheia, do Boi Barrica; Lucinha, Pedra de responsa, de Zeca Baleiro e Chico César. Eu, o último maranhense a adentrar a roda, dancei de forma desajeitada, me apresentei e fiquei surpreso quando o coro quase unânime cantou comigo os versos de Boi da lua, de Cesar Teixeira. Lembrei de Manu. E de tu, é claro.

Depois do almoço, dia 26

Nem passo no quarto para não cair em tentação e não conseguir resistir à cama que me chama, após uma viagem meio chata e uma noite mal-dormida. Converso com Ester enquanto espero a turma que não resistiu à tentação da cama chegar para a segunda parte do primeiro dia de capacitação.

Penso no quanto seria bom ter você aqui comigo.

Fim do primeiro dia de atividades

Um telefonema antes de subir ao quarto para um banho. A turma marcou às 20h15min na recepção. Vou ver [o compositor baiano] Jerônimo [autor de, entre outras, É d’Oxum], que embalou parte de minha infância. Queria que estivesses aqui. Estes shows nunca têm a mesma graça quando vou sozinho.

Noite, 26

Acabei não vendo Jerônimo. Divididos em três táxis, mais a carona de Maurício (da organização da capacitação), 14 pessoas foram ao Pelourinho. Salvador é uma São Luís exagerada. O Pelourinho é uma grande Praia Grande. Acarajé não é ruim; mas também não é a oitava maravilha do mundo. Um pagode tocava em uma praça. A pé, fomos ao elevador Lacerda, fechado. De cima, víamos o Mercado Modelo, onde hoje, ao fim do expediente, devo ir com Lucinha. Quando voltamos, o pagode havia se transformado em arrocha ou qualquer praga do gênero. Salvador é uma São Luís exagerada. Acompanhamos parte do trajeto do Olodum. Ao voltarmos, para fugir do pagode, entramos em um bar com música ao vivo: pagode. Lembrei do quanto tu odeia pagode e o grupo era realmente muito ruim. Couvert artístico: R$ 3,00 por pessoa. Melhor a roda de violão com o Assis Bezerra na beira da piscina do hotel.

Manhã do segundo dia de treinamento

Coisinhas que esqueci de comentar no “capítulo” de ontem. Salvador é mesmo uma São Luís exagerada. Se tu estivesses aqui iria se assustar com a chatice dos ambulantes [e pedintes], muito mais insistentes que aí.

Só caiu a ficha que eu não trouxe minha máquina quando pensei em fotografar uma placa para levar para Chico Saldanha. No Pelourinho há uma Rua do Saldanha.

Lucinha conseguiu comprar uma lata de Skol 473ml por R$ 2,00. Custava 3,50. O vendedor disse que fazia a esse preço para a baiana.

Fim do último dia de treinamento

Comemoro cada instante que me deixa mais perto de ti. Terminou e daqui a pouco embarco de volta. Vou novamente ao Pelô, comprar umas lembrancinhas, tomar umas cervejas, comer algo e aturar os ambulantes chatos.

[Transcrição (quase-)integral de “diário”, exercício que fiz durante viagem a Salvador/BA, semana passada. Acabei não ligando para alguns amigos com quem havia combinado isso por e-mail, a quem peço desculpas e agradeço a disponibilidade. Fica pra próxima e quando vierem a São Luís não vacilem como eu]

2 comentários sobre “(MEIO-)DIÁRIO

  1. zema ribeiro 1 de setembro de 2008 / 8:52

    gracias, reuben. espere os troços aí essa semana. quer dizer, essa semana saem daqui. abração!

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