PELAS ESQUINAS DO TEMPO

Editora Desiderata (re-)coloca no mercado – pela primeira vez no brasileiro – obra de Jaguar lançada originalmente na Argentina, em 1973.

Ninguém é perfeito (Desiderata, 2008, R$ 24,90, 95 páginas) tem o mérito de apresentar aos leitores brasileiros um livro de Jaguar lançado na Argentina em 1973: Nadie es perfecto inauguraria uma coleção com os melhores cartunistas da América Latina. A coleção – e a editora que a publicaria – pararam no número inicial. Jaguar tira um sarro, no texto de apresentação da obra: ao menos conheceu Buenos Aires em grande estilo.

Trata-se de uma coletânea de cartuns do autor de Confesso que bebi publicados n’O Pasquim, à época no auge, apesar da censura e da ditadura, com a impressionante tiragem média – mesmo para dias atuais – de 200 mil exemplares.

Personagens clássicos de Jaguar – ele próprio, um – passeiam pelas páginas de Ninguém é perfeito: Gastão, o vomitador, e Bóris, o homem tronco, entre outros. O prefácio é da Mafalda, personagem de Quino, a quem Jaguar considera um dos grandes do mundo na arte de desenhar (a clássica personagem logo deixaria de ser desenhada): “Imperfeitos como Jaguar reconciliam qualquer um com as imperfeições da vida”, Mafalda opina.

Se não há perfeição, a Desiderata – editora que já lançou também duas volumosas e respeitáveis antologias d’O Pasquim, Jaguar incluso, óbvio – corrige o curso da história, imperfeito, ao dar aos brasileiros estes bons motivos – de sobra – para sorrir. O melhor de tudo é que o traço e o humor de Jaguar continuam atualíssimos.


[capa. Reprodução]

[por Zema Ribeiro. Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste, ontem]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

3 comentários em “PELAS ESQUINAS DO TEMPO”

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