HOJE

TRIBUNA CULTURAL


[Capa. Reprodução]

IMENSAS MIUDEZAS EM MARÇO EM SÃO LUÍS

Edição luxuosa dedicada à obra de Nhozinho e exposição já realizada no Museu do Folclore no Rio de Janeiro chegam à capital maranhense em março. O palco, mais que apropriado, é a Casa de Nhozinho.

“O maranhense Nhozinho (Antônio Nogueira) é um dos homens mais hábeis que conheço; faz rendeiras, brincantes de bumba-meu-boi, o boi mesmo (que é cheio de cores e enfeites), mesa, cadeira, cofre-de-segredo, carro. Faz e vende: e dá, quando gosta da pessoa. O que ele nem vende nem dá é o carro. Carro de empurrar, de madeira, pesada e tosca. Porque Nhozinho é, há quarenta anos, paralítico”.

Publicado na revista Manchete em 1956, o trecho que reproduzo na abertura desta coluna é do também maranhense Ferreira Gullar e o texto de onde ele foi retirado serviu de prefácio a Nhozinho – imensas miudezas (2007, Sábios Projetos e Produções Ltda., invendável), edição bilíngue que conta com textos de Lélia Coelho Frota, Luciana Carvalho, Maria Michol, Paulo Herkenhoff e Zeca Baleiro, sob a organização de Alice Cavalcante e Heloísa Alves, ilustrados por coloridos e delicados trabalhos do homem que lhe batiza.

Nascido em Cururupu, Nhozinho (1904-1974), artista grandioso, foi exemplo de superação. Acometido de uma doença congênita desde os doze anos de idade, construiu ele mesmo o carro citado pelo autor do Poema Sujo para se locomover. Notável principalmente por suas réplicas do bumba-meu-boi, deixou vasta obra, e batiza museu na Praia Grande: a Casa de Nhozinho, espaço que abrigará a exposição que tem o mesmo nome do luxuoso livro, já realizada com sucesso no Museu do Folclore, no Rio de Janeiro. A abertura está marcada para 14 de março, agende-se!

O músico Henrique Guimarães homenageou Nhozinho em choro que leva o nome do artista, gravado por Zeca Tocantins (com participação de Fátima Passarinho) em seu disco Terreiro de Todo Canto: “eu vou contar toda ternura/ desse chorinho de Nhozinho pra você/ (…)/ vindo de Bacuripanã pra capital/ deixou seu boi de criança/ deixou criança de mal”. Boa parte da ternura de Nhozinho está no livro e na exposição. Que o leitor certamente não deixará de conferir. O colunista já está contando os dias.


[O artista e uma roda de brincantes sua. Divulgação]

[Tribuna do Nordeste de hoje]

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s