“ESSA TOGA É NOSSA!”

Essa “tentativa de golpe de Estado pela via judiciária” — na definição de Francisco Rezek, ex-ministro do STF que defende Jackson Lago — começou assim que as urnas deram a vitória ao candidato da Frente de Libertação do Maranhão com 1.393.647 votos. O grupo de Sarney entrou com pedido de cassação do mandato do governador no TSE, acusando-o de “abuso de poder”. Desde janeiro de 2007, quando Lago assumiu, o Sistema Mirante assombra o Maranhão com o fantasma dessa cassação. A campanha ganhou mais ímpeto nas eleições municipais de 2008, em que PMDB sofreu outro revés, perdendo a maioria das prefeituras.

Com os votos em franca debandada, todas as esperanças do grupo repousam no TSE. Uma vitória, antes do fim de 2008, era tida como certa pelos sequazes de Sarney. Seria o presente de Natal de Roseana. Mas, na sessão do dia 18 de dezembro, uma quinta-feira, os sete ministros ouviram, antes do julgamento, o discurso firme de Francisco Resek. Ele disse: “Não se trataria apenas de invalidar os votos de quem ganhou, mas de dar o cargo a quem perdeu.”

Francisco Resek vinha chamando a atenção dos juízes para a frustração que uma eventual cassação causaria entre o povo maranhense e ironizando celeridade incomum do processo. O vice-procurador eleitoral Francisco Xavier Pinheiro Filho é uma espécie de The Flash: leu 15 volumes e 15 mil páginas em apenas 16 dias. Dá quase uma página por minuto, isso se ele não dormisse, não comesse, não fosse ao banheiro. E encampou a tese da acusação. Num parecer de 15 folhas, recomendou a cassação de Jackson Lago e do vice, Luís Carlos Porto, e a posse de Roseana Sarney, segunda colocada na eleição.

A acusação de “abuso de poder” (Jackson teria se beneficiado de convênios do Estado com prefeituras durante o período eleitoral) não se sustenta, segundo Resek, pelo simples fato de que o ex-prefeito de São Luís não exercia função pública alguma e não era o candidato do governo. O candidato do ex-governador José Reinaldo era Edson Vidigal, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e teve suas vitórias mais decisivas em Imperatriz e São Luís, as duas cidades mais populosas do Maranhão, que não celebraram tais convênios.

Em Brasília, no julgamento daquela quinta-feira, o ministro Eros Grau, relator do processo, votou pela cassação, como se esperava.

“Essa toga é nossa!”

Gritou alguém no meio do jardim da mansão do Calhau, no alto de uma duna, atrás de um muro muito alto, onde havia uma torcida organizada, assim que uma rádio de Sarney deu a notícia. Rojões espoucaram. Perto da aposentadoria, Eros Grau, que também é escritor, ganharia, segundo esses privilegiados torcedores, um lugar na Academia Brasileira de Letras, onde Sarney supõe que pode tudo, ou na Corte de Haia.

Mas, antes que a votação prosseguisse, o ministro Félix Fischer pediu vista do processo, deixando o desfecho para depois das férias do Judiciário. E um clima de velório tomou conta do Calhau, onde reinam Papa Doc, Baby Doc e Doc Girl.

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Acima, trechos de Quem governa é o Lula, mas quem manda é o Sarney, matéria do jornalista Palmério Dória na Caros Amigos de fevereiro, já nas bancas.

Um comentário sobre ““ESSA TOGA É NOSSA!”

  1. zema ribeiro 1 de março de 2009 / 10:47

    vale a pena ler a matéria na íntegra, ricardo. abração!

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