NATUREZA: INDISPENSÁVEL

Minimal necessário traz poemas curtos do letrista.


[Minimal necessário. Capa. Reprodução]

Mais conhecido como letrista, Sergio Natureza tem parcerias com Tunai, Paulinho da Viola, Lenine, Guinga, Zeca Baleiro e Sergio Sampaio, entre outros. É da parceria com o primeiro, um de seus sucessos mais conhecidos: Frisson (“você caiu do céu/ um anjo lindo que apareceu”); também é da lavra da dupla As aparências enganam, imortalizada por Elis Regina, de quem Natureza foi assessor de imprensa pouco antes da subida da Pimentinha. Com Sampaio é autor de Velho bode e Roda morta (Reflexões de um executivo). Além de Raul Seixas, foi o único parceiro gravado pelo capixaba. Elba Ramalho, Zeca Baleiro, Fagner, Gal Costa, Paulinho da Viola e Luiz Melodia, entre outros, foram algumas das vozes que deram vida a suas criações.

Mas outros Sergio Natureza habitam o homem: é ele o coordenador da programação musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Também é poeta, dos bons, e é disso que nos ocuparemos. Minimal necessário [Booklink, 2009] é livro ligeiro. Seus poemas – haicais? –, de leitura rápida, tem leveza e bom humor e dizem tudo com quase nada.

“Exílio/ lá doce lá” (p. 15, para ser tão repetido quanto o “minha pátria é minha infância/ por isso eu vivo no exílio” de Cacaso). “Forró do bão!/ Roça-roça na roça” (p. 17). “Xote italiano/ pizza na fulô” (p. 21). “Na orla…/ coletivo/ de donos de cachorros:/ Catel de Merdelin” (p. 61). “Script-tease/ o escritor/ desnudou-se/ para seus leitores” (p. 97). Poucas amostras da pena certeira – pouca tinta para dizer muita coisa – de Sergio Natureza, que em Minimal necessário ganham o traço de Chico Caruso para ilustrar seus poemas.

À poeta Lúcia Santos, ele dedica um Haicai: “Ao ler-te, enfim/ um Bashô/ baixou em mim”, alusão a Uma gueixa pra Bashô (2006), livro da maranhense cujas orelhas Natureza divide com Chico César e Celso Borges. Com bagagem – literária ou não – grande ou pequena, vale levar o Minimal necessário – cabe no bolso ou na mão. E que este Natureza seja preservado escrevendo bem assim, para olhos ou ouvidos – para a alma, enfim.

[Tribuna do Nordeste, Tribuna Cultural, ontem]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

3 comentários em “NATUREZA: INDISPENSÁVEL”

  1. Opa!
    Interessadíssima! Jà anotei o email…rss… Pois como eu mesma costumo dizer: a poesia é meu ópio!
    Muchisima gracias por compartilhar conosco, os leitores, tantas coisas incríveis!
    Abração,

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