Carnaval

carne não será adereço
neste carnaval

nada de plumas
paetês e lumas
com sal

todos nossos ossos
brilharão ao Sol
neste carnaval

*

Poema de Joca Reiners Terron em seu livro de estreia Eletroencefalodrama, raridade que comprei pela Estante Virtual e que me chegou hoje. Ele que ontem fez aniversário, o autor, não o livro.

Hoje

Bastou alguns artistas e moradores das circunvizinhanças lançarem a ideia de um manifesto-protesto pelo descaso do poder público para com a Fonte do Ribeirão que a Prefeitura de São Luís lançou um release “intensificando as ações de limpeza da área”.

O ato acontecerá:


Clique para ampliar e ler o conteúdo

&

PAPOÉTICO

Após a Lavagem da Fonte, hoje, às 19h, no Chico Discos (Rua Sete de Setembro, Centro, quase esquina com Afogados), Ricarte Almeida Santos conversa com os presentes sobre choro e produção musicultural em São Luís. Detalhes aqui.

De promessas e “garantias”

Manchete de capa de O Estado do Maranhão de hoje (8): “Ricardo Murad garante hospitais para este ano”.

Comentário deste blogue: Ué, não era ano passado?

Título da principal matéria da página 3 (política) de O Estado do Maranhão de hoje: “Ricardo Murad garante entrega dos 72 hospitais”.

Comentário deste blogue: A governadora vem “garantindo” desde a campanha eleitoral.

Trecho do texto: “Murad garantiu que atuará 24 horas pelas ações de sua pasta”.

Comentário deste blogue: Eu acredito é muito que ele agora não vá nem dormir pensando no bem estar da população maranhense.

Outro trecho: “Sobre o programa Saúde é Vida, o secretário garantiu que dará continuidade, mas ressaltou que não será fácil já que a aplicação deste é complexa. “Sei que não é fácil porque é um projeto complexo, não é fácil e é ambicioso””.

Comentário deste blogue: De antônimos repórteres e secretário entendem. Ficaria feio dizerem que “não é fácil porque é difícil”, né?

Mais um trechinho: ““Mas isso não interessa porque nossa meta é cumprir integralmente aquilo que foi apresentado pela governadora durante sua campanha”, garantiu o secretário”.

Comentário deste blogue: O “melhor governo da vida” de Roseana Sarney começa no atraso: a promessa era entregar os 72 hospitais até o final de 2010.

Quem pergunta não anda errado, diz o dito popular: Ricardo Murad perdeu a eleição na Assembleia (que sequer chegou a disputar) ou “ganhou” a Secretaria de Estado de Saúde, pasta das de maior orçamento na esfera estadual?

De promessas e "garantias"

Manchete de capa de O Estado do Maranhão de hoje (8): “Ricardo Murad garante hospitais para este ano”.

Comentário deste blogue: Ué, não era ano passado?

Título da principal matéria da página 3 (política) de O Estado do Maranhão de hoje: “Ricardo Murad garante entrega dos 72 hospitais”.

Comentário deste blogue: A governadora vem “garantindo” desde a campanha eleitoral.

Trecho do texto: “Murad garantiu que atuará 24 horas pelas ações de sua pasta”.

Comentário deste blogue: Eu acredito é muito que ele agora não vá nem dormir pensando no bem estar da população maranhense.

Outro trecho: “Sobre o programa Saúde é Vida, o secretário garantiu que dará continuidade, mas ressaltou que não será fácil já que a aplicação deste é complexa. “Sei que não é fácil porque é um projeto complexo, não é fácil e é ambicioso””.

Comentário deste blogue: De antônimos repórteres e secretário entendem. Ficaria feio dizerem que “não é fácil porque é difícil”, né?

Mais um trechinho: ““Mas isso não interessa porque nossa meta é cumprir integralmente aquilo que foi apresentado pela governadora durante sua campanha”, garantiu o secretário”.

Comentário deste blogue: O “melhor governo da vida” de Roseana Sarney começa no atraso: a promessa era entregar os 72 hospitais até o final de 2010.

Quem pergunta não anda errado, diz o dito popular: Ricardo Murad perdeu a eleição na Assembleia (que sequer chegou a disputar) ou “ganhou” a Secretaria de Estado de Saúde, pasta das de maior orçamento na esfera estadual?

Los barbudos

(OU: MOMENTO COLUNA SOCIAL)


Foto: Alberto Jr.

O queridamigo André Sales, editor do Alternativo (O Estado do Maranhão), e este blogueiro nos encontramos sábado passado (5) no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade), durante o Baile dos Artistas. Ele, desopilando da monografia que ora redige. Eu…

A quem olhar o barbudo que vos tecla já surrando a camisa do 2º. Baile do Parangolé um aviso: a festa ainda não aconteceu. Acontece sábado que vem (12), dia em que a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) completa 32 anos.

Maiores informações sobre essa grande festa no Ponte Aérea São Luís e nos tuíteres deste que vos perturba e da SMDH. Sigam-nos os bons: via tuiter e ao baile!

No MA, quem defende direitos humanos foge para não morrer

LEONARDO SAKAMOTO

Em 13 de junho de 2008, na fazenda Boa Esperança, localizada na Reserva Biológica do Gurupi (unidade de conservação federal da floresta amazônica), dois trabalhadores rurais foram executados após cobrarem uma dívida trabalhista do fazendeiro Adelson Veras de Araújo. A Polícia Civil apontou como responsáveis o fazendeiro e seus jagunços. Mas apesar da Justiça ter decretado a prisão em 2009, ela só veio a ser cumprida no dia 28 de janeiro, após uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, registrar imagens do fazendeiro passeando na rua e feito cobranças ao governo estadual. O programa foi ao ar no domingo, 30 de janeiro, mostrando imagens da prisão de Adelson.

Um morador de Açailândia, Sul do Maranhão, teve que deixar a cidade com sua esposa e filhos sob os cuidados do programa nacional de proteção aos defensores em direitos humanos. Há outros envolvidos ainda soltos. Ele e sua organização atuaram no caso, contribuindo para que fosse feita Justiça. E, agora, paga um preço alto por ter enfrentado o status quo.

Fiz uma breve entrevista com ele hoje. Mantenho o seu nome em sigilo por questões de segurança.

Por que você teve que deixar sua cidade? Isso ocorreu por conta de dois anos e seis meses de apoio que demos a uma família de dois trabalhadores executados com requintes de crueldade dentro de uma fazenda localizada na Reserva Biológica do Gurupi por terem ido cobrar uma dívida do fazendeiro. Fizemos investigações, levando à identificação de 14 pessoas envolvidas no caso, incluindo o fazendeiro e dois dos seus filhos. Dentro do inquérito policial tá cheio de documentos assinados por mim, pedindo providências e levando informação à polícia. Praticamente fizemos o trabalho da polícia. A situação fica mais grave, porque o fazendeiro e seus filhos não moram longe da minha residência. E esses dois trabalhadores não foram as únicas vitimas desse fazendeiro. Ele e seus filhos já tinham dito à família das vítimas que matariam qualquer um que se envolvesse no caso. Por isso tive que sair, por ser alvo principal, por não me sentir seguro. As instituições de segurança pública do Estado não têm estrutura para garantir segurança a mim e a minha família.

Você tem medo de morrer? Sim, essas pessoas não têm nada a perder, eliminam seus inimigos sem precisar de muitas articulações, acreditam na impunidade. Pelo menos quatro homicídios são atribuídos a esse família. Sem falar que o fazendeiro é conhecido na cidade como “Adelson Gato” porque nos anos 80 e 90 ele era “gato” (contratador de mão-de-obra) de Gilberto Andrade, outro proprietário de terra que já foi condenado a 14 anos por crime de trabalho escravo.

No Maranhão, a lei é igual para todos? Nestes dois anos em que acompanhamos o caso, pude testemunhar a escassez que é o sistema de segurança pública. O acesso das pessoas comuns à Justiça é desumano, essas estruturas só funcionam quando pressionadas. O que aconteceu neste caso? Só prenderam o fazendeiro porque o Fantástico achou o cara e souberam que a matéria ia ao ar. Dois trabalhadores foram executados em 13 de junho de 2008 pelos jagunços do fazendeiro, mas só hoje 31 de janeiro de 2011 é que a polícia tá indo buscar os corpos para que suas famílias possam realizar o ritual funerário. Era o que pediam as famílias durante todo esse tempo. É uma segurança falida, sem estrutura, não por culpa dos funcionários públicos, mas de uma política de Estado que nunca existiu para o povo. O governo federal precisa dar uma atenção especial ao Maranhão. Não existe uma política de direitos humanos, a lei não tem efetividade, Justiça acontece a conta-gotas e a impunidade avança.

Tô na Top

Nas melhores bancas da cidade a revista Top, editada pela querida Roberta Gomes. Nesta edição (capa acima), matéria deste que vos bafeja em itinerário pelo Mercado Central, Feira da Praia Grande e Hortomercado do Vinhais, onde está encravado o Bar do Léo, em que encerramos o roteiro.

Parangolé


Arte: Bruno Galvão. Clique para ampliar

Celebrando seus 32 anos de luta pela defesa, proteção, promoção e reparação dos direitos humanos, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) realiza dia 12 de fevereiro (sábado), a partir das 21h30min, o 2º. Baile do Parangolé, no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade, ao lado do terminal de integração da Praia Grande). Shows com Cesar Teixeira (autor da música que dá nome ao baile), Joãozinho Ribeiro, sócios da entidade, Lena Machado e Rosa Reis, acompanhados da Banda do Parangolé: Arlindo Carvalho (percussão), Fleming (bateria), Hugo Barbosa (trompete), João Soeiro (violão), Juca do Cavaco, Mauro Travincas (contrabaixo), Nelma Carafunim (saxofone) e Osmar do Trombone.

As camisas estão à venda nas sedes da SMDH (Av. Castelo Branco, 697, Altos, São Francisco) e União por Moradia Popular (Rua dos Afogados, 674, Centro) e na Livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande). Custam R$ 40,00 (unidade) e R$ 60,00 (par).

Mais informações no Ponte Aérea São Luís.

Leo Gonçalves, Reuben da Cunha Rocha e Lawrence Ferlinghetti

Desde que conheci Reuben, tenho acompanhado com entusiasmo todas as suas incursões artísticas. Jornalista, poeta, escritor, tradutor, músico e ensaísta, certamente não apenas, e não necessariamente nessa ordem, é o cara que virou amigo, irmão e ídolo, não necessariamente nessa ordem.

Reuben já abriu e fechou vários blogues e, repito, a cada nova página, saúdo-a com entusiasmo, torcendo por sua vida longa. Cada revista em que se publicam textos seus, é por mim lida com voracidade, começando, é claro, pelas páginas ocupadas por seus trabalhos. Trabalhos, sim: Reuben leva a sério seu ofício, ele que em breve deve lançar o volume de poemas Manual pra assassinar papas (que já li e, não poderia ser diferente, também me deixou bastante entusiasmado). Mesmo sua monografia de conclusão de curso (Jornalismo/UFMA) fugiu dos rigores acadêmicos e é um trabalho que bem poderia virar livro (sobre a influência de Burroughs no cinema de Cronenberg). E vem aí a dissertação, sobre o que mais não digo, por enquanto.

Direto ao assunto: a mais recente nova de Reuben é o CavaloDada, cujo exercício é colaborar com o debate de ideias, pegando algum texto de alguém e respondendo, acrescendo, negando. Leo Gonçalves recentemente traduziu alguns aforismos de Lawrence Ferlinghetti, de Poesia como arte insurgente (Poetry as insurgent art), e jogou na rede. Um iniciou, o outro continuou o exercício.

Para saber mais sobre o autor de Um parque de diversões na cabeça, recentemente relançado pela L&PM Pocket, e sobre o livro aqui tratado, clique nos links espalhados pelo post.

Abaixo, alguns aforismos, tanto traduzidos por Leo Gonçalves quanto por Reuben (para saber quem traduziu o quê, cliquem aqui e aqui).

Não deixe dizerem que vocês poetas são parasitas.

Se não tem nada a dizer, não diga.

Não tenha a cabeça tão aberta a ponto de seu cérebro cair.

A não ser que precise cantar, não abra sua boca.

A guerra contra a imaginação não é a única guerra. Usando o desastre das Torres Gêmeas do onze de setembro como desculpa, os Estados Unidos iniciaram a Terceira Guerra Mundial, que é a Guerra contra o Terceiro Mundo.

Desafie o capitalismo disfarçado de democracia.