Bandeira de Aço e êxtase

Breve memória do ótimo show apresentado por Cesar Teixeira e banda no último sábado (30/7), no Circo Cultural Nelson Brito (Circo da Cidade).

Não escrevi sobre a morte de Amy Winehouse, abundantemente coberta pela mídia. Sem dúvidas uma grande perda para a música mundial. Mas é de vida que quero falar e não podia deixar de comentar, ainda que brevemente, o show Bandeira de Aço, de Cesar Teixeira, sublime artista.

Acompanhado por Moisés Profeta (contrabaixo, guitarra), Ribão (percussão), Quintino Neto (bateria), Rui Mário (sanfona, teclados), Wendell Cosme (bandolim, cavaquinho, percussão), Hugo Barbosa (trompete), Daniel Miranda (trombone), Regina Oliveira (vocal) e Mayrla Oliveira (vocal), Cesar Teixeira (voz, violão) desfilou sua música, pura poesia, por cerca de duas horas em um show impecável.

Uma cena superfofa deu início ao espetáculo: qual cantiga de ninar com a qual certamente já foram embaladas, Júlia Andresa, filha de Cesar, e Vitória, filha da produtora Ópera Night, cantaram Boi da Lua, inicialmente à capela, em seguida acompanhadas pela sanfona de Rui Mário – as crianças voltariam ao palco para dançar La Cubanita, salsa inédita de Teixeira, que repetiria Boi da Lua no roteiro do espetáculo.

Ao qual não faltariam clássicos, cuja ordem o repórter relapso não lembra por falta de bloquinho, caneta e máquina fotográfica (por isso este texto desilustrado) no bolso, fui lá para embriagar-me da poesia do mestre: Ray Ban, Vestindo a Zebra, Flanelinha de Avião, Flor do Mal, Bandeira de Aço, Parangolé, Mutuca, Namorada do Cangaço, Dolores e o Samba do Capiroto – parceria com Joãozinho Ribeiro, convidado com que dividiu o belo momento. Cesar Teixeira e Lena Machado são seus convidados na edição de 11 de agosto da série Outros 400 [Novo Armazém, Praia Grande, 21h].

Entre as inéditas, Samba pra Dedê (homenagem à médica e militante comunista Maria Aragão), Forró do Corta Jaca, Boi de Medonho (homenagem a um cantador das antigas, de um grupamento do Areal, hoje Monte Castelo), além de outra toada mais um baião cujos títulos não sei ou não recordo, e a citada La Cubanita, em cujas paisagens está o Circo Garcia que vi na infância.

Cesar Teixeira é o artista de quem mais vi shows na vida e o de sábado foi irretocável: sua melhor apresentação presenciada por este que lhes conta o que viu, ainda que nem de longe isso aqui supra o que perdeu quem não foi ao Circo. Oxalá Bandeira de Aço se repita em palcos outros, na Ilha e fora dela.

O bom público pediu e o poeta atendeu: o bis trouxe Oração Latina, cantada em uníssono pelos presentes antes dos tímidos e sinceros agradecimentos finais de Cesar Teixeira, contente com a plateia, nós contentes com ele.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

9 comentários em “Bandeira de Aço e êxtase”

  1. Querido Zema,

    Ainda estou sob o efeito devastador que Cesar causa em nós.
    Estou indicando tuas sábias e sensíveis palavras aos meus amigos. Amei: o show e teu texto!

    Abraços,

    Rita Moraes

  2. Zema,

    Segue parte do texto que enviei aos meus amigos:

    Revi pessoas que a vida, às vezes, distancia.
    Cantei e e me encantei com os clássicos do repertório extraordinário do poeta.
    Dancei e me diverti muito.
    E, sem dúvida, reafirmei as utopias.

    Cesar é assim: capaz de nos inspirar o melhor de nós!

    Ave Cesar!

    O mais, deixo por conta do texto de Zema.

    Mais Abraços.

    Rita Moraes

  3. rita, obrigado pelo carinho. o show foi realmente lindíssimo. escrever depois do que vi/ouvi é até fácil, tanta beleza ali desfilada, embora meu texto chegue nem aos pés do que foi de fato a experiência mágica. espero que se repita o quanto antes. forte abraço!

  4. Tudo bem que não supriu minha vontade de ir ao Circo, mas me fez pelo menos experimentar a sensação da alegria da apresentação deste tão precioso artista da música maranhense. O valor de César Teixeira está em não se esforçar para ser artista, ele apenas é César, na sua rica e poética sonora simplicidade.

    forte abraço,

    Lícia.

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