“Chorografia do Maranhão” estreia amanhã (3) em O Imparcial

Ideia acalentada há um tempinho, a série Chorografia do Maranhão chega amanhã ao papel. Mais precisamente às páginas do jornal O Imparcial, onde será publicada quinzenalmente aos domingos.

Este blogueiro e Ricarte Almeida Santos entrevistam chorões maranhenses, fotografados por Rivânio Almeida Santos. O objetivo principal é registrar as histórias e memórias destes grandes mestres. Depois de publicadas no jornal, Chorografia deve virar um livro, talvez algo mais.

A jornalistamiga Patrícia Cunha fez uma bela matéria nO Imparcial de hoje (2), divulgando a iniciativa.

A íntegra do texto:

A CHOROGRAFIA DO MARANHÃO

Projeto desenvolvido pelo jornalista Zema Ribeiro e o sociólogo Ricarte Santos, em parceria com O Imparcial, resgata história de mestres chorões

POR PATRÍCIA CUNHA

Ricarte Almeida Santos e Zema Ribeiro durante entrevista com o flautista Serra de Almeida. O mestre você vê amanhã em O Imparcial

A musicalidade, a vida, as influências, a carreira, a paixão pelo Choro, um raio-x completo de instrumentistas, compositores e cantores de Choro, chamado popularmente de Chorinho, e que inspirou e inspira vários compositores maranhenses, é o foco do Projeto Chorografia do Maranhão, com o jornalista Zema Ribeiro e o sociólogo e radialista Ricarte Almeida Santos. O Projeto, em parceria com O Imparcial, trata de uma série de matérias que resgata a memória de mestres chorões. A primeira delas será publicada amanhã, no Caderno Ímpar, e traz relatos da vida do flautista Serra de Almeida, 73 anos, integrante do grupo Regional Tira-Teima.

A reportagem é a primeira de uma série. O Projeto prevê 30 entrevistas que serão publicadas quinzenalmente aos domingos e se estenderá até março de 2014. A primeira etapa do projeto será realizar reportagens com instrumentistas. Em seguida serão entrevistados compositores e cantores.

A ideia, segundo Zema Ribeiro, é fazer o resgate dos personagens do Choro no Maranhão e promover de certa forma um registro desses artistas. “Nós queremos fazer um mapeamento desses chorões, mas inicialmente, por conta de algumas limitações vamos começar com os instrumentistas que se encontram na Ilha. Queremos ouvir e com esses depoimentos tentar desbravar um pouco esse universo, ir mais além”, diz o jornalista.

Para Ricarte Almeida o Choro está presente nas práticas musicais do Maranhão desde o século XIX. A Grande Música do Maranhão do Pe. João Mohana, importante levantamento sobre a produção musical do Maranhão do passado, revela diversas peças chorísticas de compositores maranhenses já daqueles idos. “No entanto, pouco ou quase nada se tem registrado sobre seus personagens, instrumentistas, compositores, enfim, musicistas que continuam construindo a história do Choro em terras maranhenses”, lamenta. “Daí a necessidade de se garantir a história de cada um e o registro imagético dessas figuras musicais como forma de pontes com as presentes e futuras gerações”, completa Ricarte.

A entrevista com mestre Serra foi realizada no final do ano passado e teve como cenário o Comidinha de Buteko, onde os entrevistadores fizeram um bate-papo descontraído com Mestre Serra. Outra característica desse projeto é a variedade de locais em que são entrevistados os personagens da música, uma vez que comumente as rodas de choro ocorrem informalmente e geralmente acontecem em bares ou na própria casa dos músicos.

“E nesse bate-papo onde o entrevistado fica à vontade para tocar seu instrumento fora dos palcos, por exemplo, Serra tocou flauta várias vezes enquanto o entrevistávamos, vamos ouvindo histórias, buscando elementos, buscando a visão dele na mudança de cenário, como está o Choro hoje, qual espaço que se tem”, enumera Zema.

Desenvolvimento

Ricarte comenta que dos anos 70 para cá o movimento chorístico tem crescido e se desenvolvido bastante no Maranhão. “Grupos de Choro como o Regional Tira Teima, o Instrumental Pixinguinha, o grupo Urubu Malandro, o Choro Pungado, o Chorando Calado, o grupo Um a Zero, o Cinco Companheiros; a fundação do Clube do Choro do Maranhão, o projeto Clube do Choro Recebe, e agora mais recentemente, o projeto Cantinho do Choro, dentre outras iniciativas mostram um crescente movimento do Choro em São Luís, a cada dia mais renovado com a presença de jovens chorões, que merece ser considerado e respeitado”, confere Ricarte Almeida.

Entrevista

A segunda reportagem da série será com Agnaldo 7 Cordas. Além dele, outros nomes terão suas histórias contadas por Zema e Ricarte, como Paulo Trabulsi, Juca do Cavaco, Zezé Alves, Osmar do Trombone, Robertinho Chinês, Biné do Banjo, dentre outros.

A expectativa é de que a série de reportagens futuramente seja publicada em um livro. Segundo Zema, ao saber do projeto a cavaquinhista carioca Luciana Rabello, integrante da banda que vai tocar no show de Alexandra Nicolas, nos dias 7 e 8 de março, já ficou curiosa em ler a matéria. “Ela é uma das maiores instrumentistas do Brasil e já sinalizou uma proposta de levar a divulgação dessas matérias para o Rio de Janeiro. Além dela haverá aqui na ocasião uma turma enorme do choro carioca aqui, que já farão repercutir essas matérias fora do Maranhão. Se isso acontecer e nós formos para lá será a oportunidade de entrevistar a cavaquinhista Ignez Perdigão, que é maranhense e desde 1970 está no Rio de Janeiro. Atualmente ela integra o projeto Choro na Feira“, revela Zema.

FICHA TÉCNICA

Série: Projeto Chorografia.
Idealização, texto e produção: Ricarte Almeida Santos e Zema Ribeiro.
Fotos: Rivânio Almeida.

PERFIL DOS IDEALIZADORES

Ricarte Almeida Santos é sociólogo e radialista. Apresenta há mais de 20 anos o programa Chorinhos e Chorões, na Rádio Universidade FM. Produziu o Clube do Choro Recebe, projeto que se tornou ponto de encontro de chorões e apreciadores entre 2007 e 2010.

Rivânio Almeida Santos é turismólogo e analista de marketing. Apaixonado por fotografia, tem nesta arte seu maior hobby. Assinou o ensaio de Samba de Minha Aldeia, segundo disco da cantora Lena Machado.

Zema Ribeiro é jornalista e crítico musical. Foi assessor de comunicação do projeto Clube do Choro Recebe. Escreve no blogue http://www.zemaribeiro.com

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

2 comentários em ““Chorografia do Maranhão” estreia amanhã (3) em O Imparcial”

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