23 de abril: viva São Alfredo!

Pixinguinha fotografado em 1968 por Walter Firmo, cujo acervo pertence atualmente ao Instituto Moreira Salles (IMS). Reprodução
Pixinguinha fotografado em 1968 por Walter Firmo, cujo acervo pertence atualmente ao Instituto Moreira Salles (IMS). Reprodução

Hoje é 23 de abril. Vi, pelas redes sociais, muitas e merecidas homenagens a São Jorge, santo do dia. Inclusive uma ótima do Nando (@desenhosdonando, no instagram), em que o santo guerreiro lutava não contra o dragão, mas contra o coronavírus, acima da qual se lia: “fica em casa”.

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Salve Jorge!

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Mas hoje não é apenas dia de São Jorge. É também dia de São Alfredo. Explico: Alfredo da Rocha Viana Filho, nascido a 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, e para sempre lembrado pela alcunha de Pixinguinha.

Quer dizer, 23 de abril é a data de aniversário de Pixinguinha e também Dia Nacional do Choro, instituído pela lei federal nº. 10.000, de 4 de setembro de 2000, sancionada pelo então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso – Jair Bolsonaro não sabe o que é Choro nem quem foi Pixinguinha.

Pixinguinha hoje é considerado um dos pais do Choro, ao lado de nomes como Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth – para começar citando os quatro movimentos da Suíte Retratos, que Radamés Gnattali compôs em suas homenagens – e, para sempre, um de seus mais importantes representantes, ao lado de nomes como Jacob do Bandolim, João Pernambuco, Maurício Carrilho, Raphael Rabello e Luciana Rabello, entre inúmeros outros.

Digo hoje por que nem sempre foi assim. Quando voltou de turnê com Os Oito Batutas pelos Estados Unidos e trouxe na manga Carinhoso, foi acusado de sucumbir à “influência do jazz”, como cantaria Carlos Lyra anos depois. Imaginem vocês, Carinhoso, talvez o maior clássico do gênero, assoviável (ou cantável na letra que ganhou depois de João de Barro) mesmo por gente que pode até não saber o nome de seu compositor.

Viva Pixinguinha! Viva o Choro! Que a quarentena e a pandemia passem e possamos voltar a frequentar as rodas de Choro. Enquanto isso não acontece, ouçam 13 Choros que selecionei, tentando me equilibrar entre o gosto pessoal e a importância da obra:

Carinhoso (Pixinguinha/ João de Barro), com Yamandu Costa

Loro (Egberto Gismonti), com Trio Madeira Brasil

Choro de mãe (Wagner Tiso), com Camerata Carioca

Choros nº. 1 (Heitor Villa-Lobos), com Turíbio Santos

Brasileirinho (João Pernambuco), com Leandro Carvalho

Brasileirinho (Waldir Azevedo), com Waldir Azevedo

Bambino (Ernesto Nazareth/ José Miguel Wisnik), com Elza Soares

Biribinha nos States (Pepeu Gomes), com Novos Baianos

Ray-ban (Cesar Teixeira), com Cesar Teixeira

Ponto de fuga (Chico Maranhão), com Cristina Buarque

Meu samba choro (Chico Maranhão), com Chico Maranhão

Choro de memórias (Chico Saldanha), com Chico Saldanha

Chorinho inconsequente (Erivaldo Santos/ Sérgio Sampaio), com Míriam Batucada

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (com Suzana Santos, aos sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM e reprise na Timbira AM, às 21h). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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