Saraus online de RicoChoro ComVida já têm data

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Ano passado o público não pode fazer o que estava acostumado ao longo do segundo semestre: ir para as praças de São Luís prestigiar o projeto RicoChoro ComVida na Praça, já consolidado no calendário cultural ludovicense, que há quatro temporadas estimula o diálogo entre o Choro e a riqueza da música popular brasileira, passando, obviamente, pela diversidade da cultura popular do Maranhão.

A RicoChoro Produções Culturais, no entanto, gravou três saraus em formato online. As gravações aconteceram nos estúdios da TV Guará, em formato talk show, com edições apresentadas por Ricarte Almeida Santos.

Passaram pelo palco os grupos Quarteto Crivador, Regional Caçoeira e Choro da Tralha, e os cantores Anastácia Lia, Dicy, Elizeu Cardoso, Josias Sobrinho, Neto Peperi e Regiane Araújo.

Serviço – A transmissão dos saraus pela TV Guará (canal 23.1 na tevê aberta; 21 na TVN; 323 na Sky HD; e 23 na Net) acontecerá dias 5 (às 22h30), 6 (às 18h) e 7 de fevereiro (também às 18h).

Veja a seguir uma pequena amostra do que vem por aí: Regiane Araújo, acompanhada do Regional Caçoeira, interpreta o clássico “Naquela mesa”, que Sérgio Bittencourt compôs em homenagem a seu pai, o revolucionário Jacob do Bandolim (aproveite e se inscreva no canal RicoChoro Produções Culturais no youtube para não perder as novidades):

TV Guará veiculará Tributo a Raul Seixas nesta sexta-feira (22)

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Live de Wilson Zara e banda teve transmissão em dezembro pelo youtube e redes sociais

Tributo a Raul Seixas. Frames. Reprodução

Para deleite do fã clube raulseixista, em 2020 o Maluco Beleza não deixou de receber sua homenagem, com o tributo anual que Wilson Zara tradicionalmente lhe presta. Apesar de 2020 entrar pra história como o ano em que a Terra parou, aumentando a profecia do roqueiro baiano, um show em formato live, realizado e transmitido ao vivo a partir dos estúdios da TV Guará saciou a sede daqueles que sempre ousam gritar “toca Raul!”.

Em quase três horas de live, veiculada pelo canal da TV Guará no youtube e pelas redes sociais do cantor, Wilson Zara passeou pelas diversas fases da curta mas profícua carreira de Raulzito, que nasceu em 28 de junho de 1945 e faleceu, em decorrência de pancreatite, em 21 de agosto de 1989 – dois dias antes, lançara “A panela do diabo”, seu último disco, dividido com Marcelo Nova (vocalista, guitarrista e compositor da banda Camisa de Vênus), com quem fez também sua última turnê pelo Brasil.

Na ocasião, Wilson Zara (voz e violão), se fez acompanhar de Moisés Profeta (guitarra e efeitos), Mauro Izzy (contrabaixo), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais). No repertório, clássicos de Raul Seixas, a exemplo de “Cowboy fora da lei”, “Medo da chuva”, “Sapato 36”, “Tu és o MDC da minha vida”, “Sessão das 10” e “O dia em que a Terra parou”, entre muitos outros.

Patrocinada com recursos da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, administrados pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), a live teve apresentação de Danilo Quixaba, que, em meio ao repertório, bateu um papo descontraído com Wilson Zara, destacando aspectos da vida e obra de Raul Seixas.

O público, acostumado, nos últimos anos, a lotar praças públicas por onde Zara apresentou o tributo, este ano teve que se contentar com a apresentação em formato online. “Fiquei muito satisfeito com o engajamento do público. O vídeo foi muito visualizado, curtido, compartilhado, comentado, o que fez a gente se sentir diante de uma praça cheia, mesmo sem poder ouvir os aplausos”, comentou Wilson Zara.

Serviço – O Tributo a Raul Seixas será veiculado nesta sexta-feira (22), às 22h30, pela TV Guará (canal 23.1 na tevê aberta; 21 na TVN; 323 na Sky HD; e 23 na Net).

Assista à íntegra do Tributo a Raul Seixas no youtube:

Dançando “Eva”

Nina Santes é a estrela do próximo vídeo da série “Dançando as canções do álbum Eva”, de Ligiana Costa. Foto: divulgação

Certa vez galhofei numa rede social: “no jornalismo, só não confie em uma coisa: prazo”. Obviamente era uma piada, sem graça, até, reconheço. De lá para cá, muita coisa mudou, e há muito mais do que desconfiar, não no Jornalismo, aquele que ainda merece esse nome, ainda mais com letra maiúscula, mas no entorno, no submundo do que se disfarça de e colabora para levar fascistas ao poder.

Não sou exemplo, absolutamente, no cumprimento de prazos. Um amigo me pergunta, por exemplo, se já escrevi a resenha dum disco que me entregou. Às vezes leva meses maturando, fico ouvindo o disco repetidamente no som do carro, enquanto me estresso com motoristas mal educados no trânsito de São Luís, mas não só. Costumo sentar para escrever com o texto quase pronto na cabeça, sai de uma sentada – às vezes interrompida por um ou outro afazer doméstico, método que só fui aprender depois que nasceu José Antonio.

Às vezes sequer consigo escrever e não tem nada a ver com o disco, livro, filme ou o que seja ser ruim ou não merecer atenção de minha parte. Tem mais a ver com não querer dizer qualquer coisa de qualquer jeito. Não parece, mas resta em mim certo capricho, a despeito de não passar roupas há quase dois anos.

Ano passado, a cantora Ligiana Costa lançou o ótimo “Eva – Errante voz ativa”, um disco só de vozes, um dos grandes álbuns do pandêmico 2020, sobre o que demorei a escrever. Outro dia ela me botou em contato com um assessor, que tem me enviado sistematicamente releases sobre a nova ideia maravilhosa da cantora: oito bailarinas gravaram, em suas casas, durante o isolamento social, performances para as faixas do disco.

O resultado é muito interessante, reapresentando-nos “Eva” sob nova perspectiva. Um disco feito majoritariamente por mulheres, sobre mulheres – agora também dançado por mulheres –, mas não apenas para mulheres.

Tenho acompanhado os vídeos quando publicados e no mais recente, Rosa Antuña dança “Ná”, com que Ligiana homenageia Ná Ozzetti – já é o quarto vídeo e só agora consegui escrever, para tornarmos ao nariz de cera com que abro o texto. Na próxima segunda-feira (11), estreia a performance de Nina Santes para “Lilith e Eva” (Ligiana Costa/ São Yantó).

Também me chamou bastante a atenção o videoclipe solar em que Grécia Catarina performa “Nice”, declaração de amor de Ligiana à sua companheira, música que abre o disco – minha faixa predileta de “Eva”, confesso – e inaugurou a série.

Todos os vídeos podem ser assistidos nos perfis da cantora no youtube e instagram.

Das praças às telas: RicoChoro ComVida terá três edições virtuais em 2020

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Apresentações musicais ocorrerão em formato talk show; diálogo de grupos de choro com artistas de vertentes distintas da música popular está mantido nas lives do projeto

O Quarteto Crivador. Da esquerda para a direita: Marquinho Carcará, Rui Mário, Wendell de la Salles e Luiz Jr. Maranhão. Foto: divulgação

Num ano atípico como 2020, o público de São Luís foi privado ao que já estava acostumado no segundo semestre: os tradicionais saraus do projeto RicoChoro ComVida na Praça, que percorrem diversos logradouros públicos da capital maranhense.

Mas os chorões e choronas apreciadores da iniciativa, além de curiosos em geral, não ficarão órfãos: RicoChoro ComVida na Praça terá edições em formato online, uma espécie de live talk show, com apresentação de Ricarte Almeida Santos e produção de Girassol Produções Artísticas, realizadas com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, administrados pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma).

RicoChoro ComVida, portanto, este ano não será na praça, mas online: três saraus manterão a proposta do projeto, de estimular o diálogo entre o choro e outras vertentes da música popular brasileira, através do encontro de um grupo de choro e cantores e cantoras, de gêneros e gerações distintas.

As lives serão gravadas nos estúdios da TV Guará e ainda não têm data para ir ao ar. No formato de talk show, Ricarte Almeida Santos conversará com os grupos e artistas convidados, numa espécie de entrevista musicada, bastante dinâmica.

Na primeira live, o Quarteto Crivador – formado por Marquinho Carcará (percuteria), Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas), Rui Mário (sanfona) e Wendell de la Salles (bandolim) – recebe como convidados Dicy e Josias Sobrinho; na segunda, é a vez do Regional Caçoeira – Tiago Fernandes (violão sete cordas), Wendell Cosme (cavaquinho e bandolim), Lee Fan (flauta e saxofone), e Wanderson Silva (percussão) – dialogar musicalmente com Elizeu Cardoso e Regiane Araújo; e por último, Anastácia Lia e Neto Peperi serão recebidos pelo Choro da Tralha, formado por João Eudes (violão sete cordas), João Neto (flauta), Gabriela Flor (pandeiro) e Gustavo Belan (cavaquinho).

Os grupos – O Quarteto Crivador, que leva o nome de um dos tambores da parelha do tambor de crioula, e o Caçoeira, nome de um instrumento de pesca, têm em seu DNA musical a mescla do choro com gêneros da cultura popular do Maranhão. O Choro da Tralha formou-se para tocar no sebo e botequim homônimo, recentemente fechado, temporariamente, em razão da pandemia. Apresentava-se aos domingos, mas acabou conquistando outros palcos. Sua sonoridade e formação remetem aos primeiros regionais surgidos no Brasil.

Os convidados – Homens e mulheres de gerações distintas e enorme talento, conheça um pouco do perfil dos artistas convidados das lives de RicoChoro ComVida em 2020.

Dicy iniciou sua trajetória musical cantando na igreja, na infância. Integrou o trio vocal Flor de Cactus, que acompanhou Wilson Zara na noite imperatrizense. Artista engajada, tem um disco solo gravado, “Rosa semba”.

Josias Sobrinho é um dos grandes mestres da música popular brasileira produzida no Maranhão. Figurou no repertório do antológico “Bandeira de aço” (Discos Marcus Pereira, 1978), lançado por Papete, considerado um divisor de águas da música produzida por aqui.

Elizeu Cardoso é um artista plural: professor de geografia, escritor, locutor e programador de uma webrádio, o cantor e compositor é dos artistas que melhor faz a ponte entre a música popular produzida no Maranhão e as raízes ancestrais africanas.

Regiane Araújo tem formação em Ciências Sociais e é uma artista que dá voz a denúncias sociais. Participou do Festival BR-135 e recentemente foi selecionada pelo Conecta Música para a produção de um videoclipe. O videoclipe de sua música “Tirem as cercas” é sucesso de público e crítica.

Anastácia Lia é um dos grandes talentos de sua geração, transitando com desenvoltura por diversas vertentes musicais. Nasceu em berço musical, sendo descendente de fundadores da Turma do Quinto. Atualmente é intérprete da Favela do Samba e uma das organizadoras do anual Encontro Nacional de Mulheres na Roda de Samba. Artista engajada, tem na música um instrumento de combate ao racismo e outras formas de discriminação.

Neto Peperi é ex-vocalista e cavaquinhista do grupo Espinha de Bacalhau, lendário nas noites de São Luís. Cantor e compositor inspirado é um dos mais talentosos representantes do gênero que por aqui consagrou nomes como Cristóvão Alô Brasil, Cesar Teixeira e Zé Pivó, entre outros que costuma incluir em seu repertório.

Raul Seixas terá tributo no ano em que a Terra parou

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Cantor Wilson Zara realizará show em homenagem ao artista baiano em formato live, no próximo dia 15

Divulgação

Era uma vez um baiano que acabou ganhando o apelido de Maluco Beleza, por conta do título de um de seus inúmeros clássicos. Esse roqueiro, fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, previu “O dia em que a Terra parou”, canção que dá nome a seu álbum lançado em 1977.

Raul Seixas (1945-1989) não viveu para ver a pandemia de covid-19 fazer o planeta parar, não por um dia, mas por quase um ano. 2020 foi o ano em que ninguém pode dizer que não cumpriu a lista de resoluções de ano novo por pura falta de vontade. Muitos planos, quase todos, tiveram que ser adiados.

Foi assim também com o já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, show anual realizado pelo cantor maranhense Wilson Zara, que desde 1992, quando estreou “A hora do trem passar”, em Imperatriz/MA, presta-lhe as devidas homenagens, sempre por volta da data de seu aniversário de falecimento, em 21 de agosto.

Mas o Tributo vai acontecer, se não nos moldes a que os fãs-clubes – de Raul Seixas e Wilson Zara – estão acostumados, do jeito que o ano e a pandemia permitem: no próximo dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, em uma live transmitida a partir dos estúdios da TV Guará, raulseixistas de toda parte – graças à transmissão pela internet – poderão acompanhar o desfile de clássicos e lados b, num longo passeio pela vasta obra de Raulzito.

Além de músicas já citadas ao longo deste texto, Wilson Zara e banda – Mauro Izzy (contrabaixo), Moisés Profeta (guitarra), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais) – passearão por repertório que inclui “Ouro de tolo”, “A maçã”, “Sessão das 10”, “Rockixe”, “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, “Meu amigo Pedro”, “Gitâ”, “Sociedade alternativa” e “Cowboy fora da lei”, entre muitas outras. Um show que certamente vai deixar satisfeitos todos os que gritam “toca Raul!”.

Serviço – Realização da Zarpa Produções, o “Tributo a Raul Seixas” tem patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. A transmissão da live acontece dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, a partir dos estúdios da TV Guará, pelo site da emissora, além de seus perfis no youtube e instagram, e pelo perfil de Wilson Zara no facebook. A TV Guará apresentará o show em sua programação em data a ser confirmada posteriormente.

Do bar ao vinil

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Ao longo de um ano de “Vinil & Poesia”, a dj Vanessa Serra reuniu a nata da música e poesia produzidas no Maranhão; o resultado pode ser conferido no elepê que leva o nome do projeto

Vinil & Poesia. Capa. Reprodução

Em dezembro do ano passado, em casa de nome mais que apropriado, o Cazumbá Lounge, na Lagoa, a dj Vanessa Serra estreou seu projeto “Vinil & Poesia”, aliando duas paixões.

Já era uma dj consagrada, apesar do pouco tempo de estrada. Jornalista de formação e produtora de profissão, só começou a levar a discotecagem a sério em 2016. Sem firulas, como escrevi em seu release oficial, que tive a honra de escrever a pedido.

Não me peçam impessoalidade: fui o primeiro a subir àquele palco, recitando Paulo Leminski e Marcelo Montenegro, dois poetas de minha predileção, e é impossível não lembrar disso com emoção.

Além dos vinis de seu ofício, Vanessa Serra havia levado uns livros, priorizando autores e autoras maranhenses, instigando o público a participar. O que no início tinha jeito de brincadeira, tomou ares sérios, mas não ficou algo careta. Às quartas-feiras, a tertúlia semanal começou a receber poetas e músicos como convidados, para canjas ao vivo, durante o set da dj.

Aí veio a pandemia. O isolamento social. O lockdown. As inúmeras lives que foram/fomos inventando e reinventando para suportar a saudade da vida social, de ir ao bar, de jogar conversa fora, de ouvir boa música nas companhias de amores e amigos. Entre elas o “Vinil & Poesia”, que Vanessa Serra nunca deixou de fazer, mesmo quando foi obrigada ao formato online.

Somente recentemente, com a liberação de eventos de pequeno porte, observadas as normas de segurança sanitária vigentes, ela voltou a realizar o evento ao vivo, a partir do Cazumbá Lounge.

O projeto já era vitorioso ao estimular o diálogo entre música de qualidade e tirar a poesia do lugar solene da página do livro e levá-la ao bar, para ser dita e ouvida por gente atenta, curiosa e esperta. Gente antenada, enfim. Mas uma vitória de um a zero é menos gostosa que uma goleada e Vanessa Serra marca mais um golaço: 14 participações de artistas nas noites do “Vinil & Poesia” estão registradas em um disco de vinil. É luxo só, como diria o poeta.

“Vinil & Poesia” é uma realização de VS Comunicação e Cultura, com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. Gravado no estúdio Zabumba Records, reúne uma constelação de primeira grandeza da música e poesia produzidas em terras maranhenses.

Na ordem de aparição, Lúcia Santos diz seu poema “No umbigo da noite insana”; Célia Leite zabumba em “Pedras de cantaria” (parceria dela com Jorge Passinho, que faz participação especial na faixa); Mano Borges evoca os ares oitentistas da intensa produção musical maranhense daquela década em “Duas ruas desertas”, de sua autoria; “De São Marcos a São José” nos conduz, pelo sotaque, ao Vale do Pindaré, na parceria de Eloy Melônio e Josias Sobrinho, cantada por este; “Esse tu” é mais uma delicada amostra da parceria profícua de Celso Borges e Nosly, que a interpreta; “Tanto fogo” (Jorge Passinho/ Inaldo Lisboa/ Maninho Quadros), interpretada por Dicy, com participação especial de Santacruz, mete o dedo em ferida atualíssima da tragédia brasileira; César Nascimento cantando o xote “João do Vale, minha homenagem”, de sua autoria, fecha o lado A do disco.

O lado B abre com a voz de Celso Borges em seu poema/toada hi-tech “Tambor de crioula”; “Chovia no canavial”, com que Zeca Baleiro presenteou o projeto, ganha interpretação especial do grupo As Brasileirinhas; o multifacetado Jorge Thadeu comparece com “Guajajara”, de sua autoria; “Ventre livre”, de Luís Du Rosário, é a bela estreia em disco de um artista que não encarou a música como profissão, apesar do imenso talento; Gerude relê o clássico “Jamaica São Luís”, parceria sua com Cyba Carvalho; Betto Pereira comparece ao disco para além da embalagem: canta o reggae “Nação vibration”, parceria sua com o jornalista Gilberto Mineiro; e Tutuca Viana fecha o álbum com a balada “Luz de neon”, que escreveu em parceria com João Marques.

A riqueza deste álbum está no atrito entre poesia e música, para além da leitura de poemas com fundo musical e da pergunta mofada “letra de música é poesia?”, num diálogo estimulante entre gêneros, gerações e a diversidade da cultura popular do Maranhão, ao mesmo tempo plural (pela variedade) e singular (certas coisas só existem por aqui).

“Aqui conseguimos reunir um belo roteiro de canções… Acordes e versos, palavras e tons, memórias profundas, alimento para a alma da gente… “Vinil & Poesia”, de fato, é uma imensidão de sentimentos… É coletividade, pertencimento, entrega e amor”, sintetiza a jornalista, dj e produtora Vanessa Serra em texto na contracapa do elepê.

Ela assina a concepção do projeto e direção geral, que tem direção técnica de Maurício Capella (companheiro de arte e vida), direção artística de Luiz Cláudio, direção musical de João Simas, produção executiva de Suzana Fernandes e produção técnica de Joaquim Zion (seu padrinho no ofício da discotecagem). As artes de capa, contracapa e encarte são de Betto Pereira e o projeto gráfico é de Eric Félix. O álbum é dedicado “à memória, vida e obra de Raimundo Nonato Rodrigues de Araújo (Maestro Nonato), Nonato Buzar, Papete e Gérson da Conceição”.

Muita gente procura o bar para espairecer e vai ao lugar certo. Outros afogam mágoas e também não estão no lugar errado. Alguns, no dia seguinte, querem esquecer o que fizeram. Vanessa Serra eterniza um momento bonito e importante, de um projeto frequentado por “gente fina, elegante e sincera”. Agora, mesmo quem não sai à noite, não frequenta bares ou não curte um drinque, pode levar “Vinil & Poesia” para casa. A inscrição “volume 1”, que lemos na capa do disco, já nos leva a responder, como naquele velho rock: mais uma dose? É claro que eu tô a fim.

Serviço – A live de lançamento de “Vinil & Poesia”, com a presença dos artistas que participam do álbum, será realizada dia 16 de dezembro (quarta-feira), às 20h, com transmissão simultânea pelos perfis da dj Vanessa Serra no instagram e youtube. O projeto é uma realização de VS Comunicação e Cultura, com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.

Vale mais do que pesa

Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia. Capa. Reprodução

Nada há de surpreendente ou revelador, ou novidade qualquer desconhecida do fã médio de Luiz Melodia em Meu nome é ébano – A vida e a obra de Luiz Melodia (Tordesilhas, 2020, 301 p.; R$ 55,00), biografia escrita pelo jornalista Toninho Vaz, autor das biografias também insossas de Paulo Leminski (2001) e Torquato Neto (2005) – enormes e complexos personagens que poderiam redundar em livros idem, mas ficam a meio caminho.

A narrativa é linear, para não dizer preguiçosa, começando com a construção da casa da família no morro de São Carlos pelo pai de Luiz, Oswaldo Melodia, de quem ele viria a herdar o sobrenome artístico – embora nunca tenha encarado uma carreira profissionalmente, Oswaldo era compositor, autor, por exemplo, do choro Maura, gravado por Luiz –, e termina com a morte, em 2017, aos 66 anos, em decorrência de complicações de um câncer na medula.

Em meio a tudo isso, histórias conhecidas por todos: alçado ao estrelato pela gravação de Pérola negra por Gal Costa, em 1971, antes mesmo de seu disco de estreia (1973) – fundamental em qualquer coleção de MPB que se preze –, que acabaria batizado por aquela música; a descida do morro de São Carlos, no bairro do Estácio, para o asfalto; a reconhecida elegância de filho de costureira interessado por moda; a insubordinação aos ditames da indústria fonográfica – “como pode um negro que não canta (apenas) samba?”, perguntavam-se os tecnocratas do setor, à época –, o que acabou lhe valendo a pecha de “maldito” da MPB, ao lado de nomes como Jards Macalé, Sérgio Sampaio e Itamar Assumpção, cuja relação com Melodia é pobremente relatada na obra, apesar de o primeiro assinar o texto da quarta capa.

Vaz relembra, por exemplo, que Macalé compôs Negra melodia em homenagem ao amigo, mas sequer cita a participação de Luiz Melodia em Doce melodia, homenagem de Sérgio Sampaio a ele gravada por ambos em Sinceramente (1982), último disco lançado pelo capixaba em vida; ou Quem é cover de quem?, com que Itamar Assumpção homenageou-o no primeiro dos três volumes de Bicho de 7 cabeças (1993), em que era acompanhado pela banda exclusivamente feminina Orquídeas do Brasil. A música é uma brincadeira com a semelhança física e a fama de malditos de ambos. Citação da participação de Melodia em Vida cigana, do maranhense Adler São Luiz, nem em sonho.

Entre outros deslizes, imprecisões e incorreções, um apêndice com a discografia, ao fim do volume, opta por citar o intérprete (Luiz Melodia) em vez dos compositores registrados pelo biografado em seus álbuns, o que pode causar certa confusão na cabeça do leitor mais desavisado ou mesmo cooperar para a manutenção do quase anonimato de nomes como Getúlio Cortes (de quem Luiz Melodia regravou os “sucessos de Roberto Carlos” Negro gato e Quase fui lhe procurar), Zé Keti (Diz que fui por aí), Cartola (Tive sim) e Ismael Silva (Contrastes) ou mesmo de um mais conhecido Cazuza (Codinome Beija-flor). Lembrando que, dono de uma dicção completamente particular na história da música popular brasileira, Luiz Melodia apropriava-se de tal modo do que interpretava que parecia mesmo ser o compositor de tudo aquilo que cantava.

A cobertura da morte de Luiz Carlos dos Santos (7/1/1951-4/8/2017), nome de batismo de Luiz Melodia, pela imprensa também foi abordada por Vaz em sua biografia. Não comparece às páginas do livro o obituário escrito para o portal UOL pelo jornalista Jotabê Medeiros, um dos mais completos publicados à época – talvez por vaidade, para evitar citar a “concorrência”: Medeiros, sabemos, é autor das biografias de Belchior (2017) e Raul Seixas (2020), a cujas referências bibliográficas comparece o Solar da Fossa (2011) de Vaz.

O grande trunfo de Meu nome é ébano é o mergulho no conceito e produção da espaçada discografia de Luiz Melodia. Alguns capítulos são batizados por discos como Maravilhas contemporâneas (1976), Mico de circo (1978) e 14 quilates (1997) e descrevem bastidores de composições, gravações e lançamentos. Por sua indiscutível grandeza, Melodia merecia mais.

Gigi Moreira (31/1/1957-10/11/2020)

O artista em seu habitat natural, o palco. Foto: reprodução/ Facebook.

Nunca esquecerei a ocasião em que o percussionista e compositor Erivaldo Gomes me disse: “Gigi Moreira era pra ser nosso Tom Zé”. Referia-se à genialidade da música de Gislenaldo Machado Moreira (31/1/1957-10/11/2020), falecido hoje, após alguns dias internado no Hospital de Cuidados Intensivos (HCI), na capital maranhense – chegou a ser intubado por sequelas da covid-19.

Piauiense de nascimento, Gigi chegou à São Luís ainda na infância. Era graduado em Educação Física (Ceuma) e tinha pós-graduação em Gestão Cultural (Estácio São Luís). Servidor da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma) desde 1981 estava à disposição da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Sedel), onde ocupava o cargo de Chefe do Departamento de Lazer.

Era um artista múltiplo: ator, diretor, cantor e compositor. Foi no campo das artes que deixou sua mais profunda contribuição ao Maranhão. Foi um dos fundadores do Grupo Independente de Teatro Amador (Grita), do bairro do Anjo da Guarda, onde morava, um dos mais longevos em atividade no Maranhão, encenando a Via Sacra pelas ruas da área Itaqui-Bacanga há cerca de 40 anos. O velório acontece esta tarde no Teatro Itapicuraíba, sede do grupo, no Anjo da Guarda.

“A Secma e o secretário Anderson Lindoso prestam condolências aos familiares e amigos do artista nesse momento de tristeza”, manifestou-se a Secma em nota de pesar publicada em seu site.

“O Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal do Maranhão manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do artista Gigi Moreira por todas as contribuições culturais ao nosso Estado”, afirmou outra nota de pesar, distribuída pelas redes sociais.

Era um amigo querido, mais um a que a pandemia de covid-19 obrigou a nos virmos com menos frequência do que gostaríamos. Um de nossos últimos encontros presenciais foi por ocasião do lançamento do “Frevo desaforado”, de Joãozinho Ribeiro, que congregou uma constelação de artistas na Galeria Valdelino Cécio, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande), pouco antes do carnaval. Com seu habitual sorriso estampado, Gigi Moreira deu sua canja. De outra feita dividimos algumas cervejas na calçada do Botequim da Tralha – também antes da pandemia – ocasião em que conversamos sobre amenidades, projetos e a tragédia que é o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

Em 2009 estivemos juntos no Fórum Social Mundial, em Belém/PA. No Acampamento Balaiada, Gigi Moreira foi um dos artistas maranhenses a emprestar sua voz para denunciar ao mundo o golpe judiciário então em curso que acabaria por cassar o mandato do então governador Jackson Lago (1934-2011).

Gigi sempre teve lado e nunca escondeu. O assassinato do artista popular Jeremias Pereira da Silva, o Gerô, espancado até a morte por policiais militares, em 22 de março de 2007, instituiu o Dia Estadual de Combate à Tortura, celebrado a todo 22 de março, no Maranhão, por iniciativa da então deputada estadual Helena Heluy (PT).

Em 2008 o bloco tradicional Pau Brasil, do Anjo da Guarda, prestou merecidas homenagens a “Linguafiada”, um dos pseudônimos com que Gerô assinava seus cordéis. O samba-tema, na oportunidade, tinha melodia de Gigi Moreira e Wilson Bozó e letra deles e Ribão, Jeovah França, Josias Sobrinho e este que vos perturba.

Ouçam “Salve Gerô!”:

Gabriella Lima lança quarto single/vídeo de “Bálsamo”

A cantora e compositora Gabriella Lima em locação do videoclipe. Foto: Leonor Patrocínio

Há seis anos Gabriella Lima chegou a Paris, com a pretensão de permanecer por três meses em imersão artística. Foi ficando, após conhecer o Cabaret Aux Trois Mailletz, com quem assinou um contrato de artista residente – por lá já cantaram, entre outras, Elza Soares e Nina Simone.

A cantora e compositora paulistana acaba de lançar o single e videoclipe Máquina de ilusão (Gabriella Lima), quarto de Bálsamo, disco que tem previsão de lançamento para o início do ano que vem, com produção de Alê Siqueira.

O videoclipe, dirigido por Chico Gomes, com coreografia de Fábio Aragão, foi gravado em Lisboa. Na faixa autoral ela é acompanhada por Thiago Barromeo (guitarra e contrabaixo), André Lima (teclados) e Zé Luís Nascimento (percussão).

Ela comenta o trabalho, no material de divulgação distribuído à imprensa: “Queria abrir uma discussão sobre as desilusões amorosas, sobre o fim das relações. Mas não com uma abordagem triste. Afinal, acabar não significa que deu errado. Existe uma confusão em associar o sucesso de uma relação à durabilidade. Não importa o tempo que durou, a relação foi uma parte da nossa vida que constitui quem somos hoje. Essa aceitação evita a insistência em uma relação que não funciona mais. A ilusão de que se tentar mais um pouco, poderia funcionar. Pura ilusão”, arremata.

*

Veja o videoclipe de Máquina de ilusão:

Aniversariantes do dia

Trago ao blogue este quadro do Balaio Cultural, programa que apresento aos sábados com a queridamiga Gisa Franco, na Rádio Timbira AM (1290KHz).

Fariam aniversário hoje:

Joseph Goebells (1897-1945), ministro da propaganda de Adolf Hitler na Alemanha nazista, cuja frase “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade” ajuda a compreender um pouco o atual triste estado de coisas brasileiro;

O compositor Nelson Cavaquinho. Foto: reprodução

Nelson Cavaquinho (Nelson Antônio da Silva, 1911-1986), gênio, cujos versos “o sol há de brilhar mais uma vez/ a luz há de chegar aos corações/ do mal será queimada a semente/ o amor será eterno novamente” nos ajudam a ter esperança de um país e uma sociedade melhores;

e Moa do Katendê (Romualdo Rosário da Costa, 1954-2018), capoeirista baiano, brutal e covardemente assassinado por um bolsonarista após o primeiro turno das eleições de 2018.

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Ouçam Juízo final (Nelson Cavaquinho/ Élcio Soares), com Nelson Cavaquinho:

Ouçam Badauê (Moa do Katendê), com Caetano Veloso:

Chico da Ladeira (6/12/1949-24/10/2020)

[Faleceu ontem (24) em São Luís, o compositor Chico da Ladeira, em decorrência de falência múltipla dos órgãos; na singela e merecida homenagem prestada pelo Balaio Cultural, que produzo e apresento com Gisa Franco, aos sábados, na Rádio Timbira AM, citei, de memória, perfil escrito por Cesar Teixeira e publicado no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, em fevereiro de 2004, que reproduzimos a seguir]

CHICO DA LADEIRA: MEMÓRIAS DE UM EMBAIXADOR

A verdadeira história de um compositor que ajudou a Flor do Samba a conquistar vários títulos no Carnaval, posou ao lado de Garrincha para uma foto, e é capaz de fazer embaixadas com tampinhas, moedas e copos, não só para beber, mas para mostrar a todos os malabarismos que os artistas maranhenses fazem para sobreviver e serem notados.

POR CESAR TEIXEIRA*

O compositor Chico da Ladeira em janeiro passado, durante gravação no estúdio Zabumba Records. Foto: Suzana Fernandes

Na rua Antônio Rayol (antiga São João), subindo a ladeira tangente à Fonte das Pedras, o encontramos na casa nº 240, sóbrio. Fala mansa, de bermudas e sem camisa, exibe uma enorme cicatriz na barriga proeminente. “Não foi nada. Uma operação que fiz há quinze anos. Tiraram só uma úlcera do estômago, a vesícula biliar e o apêndice”.

Francisco de Assis Vieira é conhecido entre os sambistas da cidade, ratos de praia e boêmios em geral como Chico da Ladeira, apelido que recebeu da tia Dodoca. Em 1979, em parceria com Augusto Maia, compôs um samba bastante difundido como “Haja Deus” e considerado um hino daquela agremiação carnavalesca.

“Haja Deus, quanta beleza
a Flor do Samba vem mostrar.
São festejos e motivos
da cultura popular”

A popularidade de Chico, entretanto, vem do tempo da bola de seringa na praça do Mercado Central e das peladas no Portinho, na Maravalha, ao lado de Japi, Djalma, Pindura, Bacurau e Dalmir, entre outros militantes. Logo conquistaria uma vaga nos desafiados da Ponta d’Areia, sempre regados pela chuva etílica que desabava no bar de Dona Nazaré, fazendo curva com o vento.

Os craques Chico da Ladeira e Garrincha, em Imperatriz/MA. Foto: Acervo Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante

Foi várias vezes contratado para integrar seleções do interior do Estado, durante campeonatos regionais. Numa das viagens, em Imperatriz, encontrou-se com Garrincha, ex-craque do Botafogo convidado para fazer uma exibição pública, em fins dos anos 60, na inauguração do estádio Frei Epifânio d’Abadia, jogando pelo Cruzeiro, um time local.

A habilidade de Chico com a bola o levou a ser aspirante de times maranhenses como o Ferroviário e o Vitória do Mar, além do Bola Sete, de futebol de salão, na década de 70.

TESOUROS DA JUVENTUDE

Chico lembra da infância, meticuloso, como quem junta pedaços de um filme. “Toquei sino na igreja de Santana, de calça curta engomada e conga, de manhã cedo. Era só pra paquerar as meninas”. Não fez nem o primário, mas aprendeu a ler e a escrever pegando bolos de Dona Risoleta, na rua das Crioulas.

Tinha outras virtudes: era um exímio driblador de bondes e empinador de papagaios, disputando com Alvinho e Ratinho. Vez por outra, retirava das prateleiras do Lusitana e da Loja 4.400 um pouco da mais-valia, transformando gêneros juvenis de primeira necessidade em justiça social. “Eu não tinha medo de nada”.

Entre 14 e 15 anos, para garantir os ingressos do estádio Nhozinho Santos e dos cinemas Éden, Rival e Rialto (gostava de filmes de cow-boy e karatê), carregava sacolas no Mercado Central, e sacrificava dois ou três meses consertando malas de papelão na Casa Santo Antônio, rua da Paz, depois abandonava o serviço. “Era só pra comprar uma calça e uma camisa”.

Foi o futebol, inicialmente, que lhe trouxe algumas doses de vantagem na vida. Recorda que começou a beber tardiamente, aos 18 anos, e, junto com os companheiros de bola, garantia cachaça e mulher na Zona sob o patrocínio de China, pandeirista que vivia na pensão Crás, e sustentava um time amador do mesmo nome. “Lá tinha até karaokê”, acrescenta.

Chico também costumava, na praia ou no bar, exibir-se descalço, fazendo pezinho – embaixadas – com um limão, suspendendo copo e colocando na nuca uma tampinha ou moeda (oferecida por algum incrédulo), que acabava no bolso para completar a próxima cerveja.

O SAMBA NO PEITO

Chico da Ladeira em reprodução da página do Guesa Errante com o perfil escrito por Cesar Teixeira

Aos poucos ele foi deixando a bola, e, adúltero, mergulhou noutra paixão há muito cultivada: o samba. Não era para menos. A casa onde nasceu, em 6 de dezembro de 1949, e na qual vive até hoje, era um terreiro de bamba. Lá foi sede dos Fuzileiros da Fuzarca (fundado em 1936), e depois do bloco Os Lunáticos.

Por ali passaram figuras relevantes do samba maranhense, como Mascote e o náufrago de águas temperadas Cristóvão Colombo.

Chico não viu a batucada dos Fuzileiros na casa da rua São João, pois o bloco se mudou para a São Pantaleão em 1942, quando ainda não era gente, mas chegou a ser baliza de Os Lunáticos, cujos refrões mexiam sua cabeça. O bastante para arriscar-se a fazer o primeiro samba –“Topless” – para um bloco de brincadeira que criou com outros jovens:

“…que coisa louca, que coisa louca,
é tanto peito que me dá água na boca”

Tudo culpa do pai adotivo, o bicheiro Arnaldo Ewerton Vieira, e dos muitos tios, como Raimundo Ewerton de Souza (Diquinho), poeta e compositor inspirado “que faleceu cuspindo o fígado”, lembra Chico. Depois das lunáticas reuniões, os ensaios passaram a ser na casa de Dona Preta, algumas casas acima.

Com 16 anos, Chico da Ladeira apresentou-se na Rádio Gurupi, cantando uma música de Roberto Carlos, e foi premiado com um kit: tênis Ki-Chut, escova e pasta de dentes.

Seu talento como compositor, porém, só foi descoberto em 1978, quando fez “O Circo” para a Flor do Samba, convidado por Augusto Maia, que depois seria seu parceiro. O tema baseava-se no tradicional refrão circense: “Ô raia o sol, suspende a lua/Olha o palhaço no meio da rua”.

Em 1980, mudou-se temporariamente para a escola Unidos da Camboa, onde compôs “Sonhos”, junto com Zé da Conceição, parceiro predileto: “São dias zodiacais/o destino não se muda/as cartas não mentem jamais”. Com Zé, também fez um samba para a Unidos da Senzala, do município de Pinheiro. Mas logo voltaria para a Flor, e novos sucessos ajudaram a escola a vencer na passarela.

“De Saint Louis a São Luís, enfim uma só Paris”, foi o samba-enredo de 2002, com letra e música de sua autoria. Este ano anunciou “Os Sete Pecados da Capital”, em parceria com Augusto.

FORA DO ESQUEMA

Chico da Ladeira admite que sua popularidade também lhe valeu um emprego de contínuo nas Centrais Elétricas do Maranhão, de onde foi demitido após a privatização da empresa. “Eu e mais de 2 mil pessoas”. Com a grana da indenização, comprou um apartamento no Ipem-Bequimão, que lhe rende de aluguel 150 reais por mês. “Muita gente pensava que eu ia torrar em cachaça”.

A esse preconceito ele atribui o fato de não ter sido ainda apoiado pelas instituições culturais do Estado. “Os órgãos deveriam procurar mais os artistas. Fico com vergonha. Outro dia fui na Gerência de Cultura pedir ajuda pra publicar um livreto de poesia e disseram: – Aqui tu não pode subir, Fulano não deixa!”.

Seus poemas, apesar de sufocados pela precária convivência com os livros, são farpas da experiência humana acumuladas no pâncreas de quem tem que transformar sentimentos em flanelinha para enxugar a sujeira de uma sociedade conservadora. Em “Corvos e Gaviões” vomita:

“É melhor ser coveiro
do próprio cemitério
que abraçar os homens
dos três poderes
onde o mar vira inferno”

Chico, no fundo, é o mesmo moleque, aguardando a hora de driblar o destino e marcar mais um gol. Se tivesse nascido no Cantagalo, talvez ocupasse lugar de honra entre sambistas. Aqui os artistas da gema são condenados a andar de costas para a história. Por isso, quem vê o compositor descendo manhoso a ladeira que o popularizou, imagina que está subindo.

*CESAR TEIXEIRA é jornalista e compositor

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Bonus track: em janeiro o poeta e jornalista Celso Borges e o percussionista Luiz Cláudio levaram Chico da Ladeira ao Zabumba Records e registraram sua voz para um disco. Com a pandemia de covid-19 o projeto foi adiado.

Ouça uma das composições de Chico da Ladeira registradas na ocasião:

Sempre se pode sonhar. Ou: das coisas que fazem 2020 e o Brasil ainda valerem a pena

Sempre se pode sonhar. Capa. Reprodução

Chico Buarque e Paulinho da Viola tornaram cada vez mais espaçados no tempo seus lançamentos discográficos ao longo das últimas duas ou três décadas. O primeiro se divide, com igual êxito, entre os ofícios de cantor e compositor e escritor e tem lançado discos e livros muito bons – acabei recentemente de ler Essa gente (Companhia das Letras, 2019).

Paulinho da Viola, como nos mostra Meu tempo é hoje (2003), o excelente documentário de Izabel Jaguaribe – cuja trilha sonora é um ótimo disco lançado no mesmo ano –, se divide entre hobbies como a marcenaria, a sinuca, sofrer pelo Vasco da Gama, seu time do coração, e shows – com a agenda completamente afetada pela pandemia de covid-19 neste 2020.

Por falar em show, corta para uma lembrança: em 2014 vi Paulinho da Viola ao vivo, em um show prejudicado pela acústica do lugar, o finado Patrimônio Show, ali nas imediações do terminal de integração da Praia Grande. Um dia antes, ou no mesmo dia, cito de memória, compareci à coletiva de imprensa que o príncipe deu em um hotel da cidade. Indaguei-lhe sobre A obra para violão de Paulinho da Viola, disco instrumental gravado pelo maranhense João Pedro Borges (violão), nas companhias luxuosas do próprio Paulinho (violão e cavaquinho) e de César Faria (violão), pai de Paulinho, da formação original do Época de Ouro. Lançado em 1985, o vinil foi distribuído como brinde de fim de ano a clientes de uma mineradora e nunca foi reeditado. Fecha parêntese.

Mas abre outro: apesar de gozar de merecido reconhecimento, fruto da qualidade de sua obra, Paulinho da Viola é um dos mais injustiçados artistas da música popular brasileira. Quase nunca entra em listas de mais ou maiores isso ou aquilo quando se trata da sigla MPB, quase sempre rotulado como mero sambista – como se isto fosse pouco. Fecha parênteses.

Nunca havia escrito sobre um disco sem ouvi-lo e o faço para anunciar: dia 30 de outubro chega às plataformas um novo álbum de Paulinho da Viola. Sucessor do Acústico MTV (2007), Sempre se pode sonhar (2020) é um registro ao vivo, com 22 faixas gravadas no Teatro Fecap, entre 13 de setembro e 8 de outubro de 2006.

A primeira reação, ao ver a capa – mais uma de Elifas Andreato para a discografia do mestre – publicada no instagram de Paulinho da Viola foi: 2020 e o Brasil ainda valem a pena. Depois a ficha foi caindo lentamente e, apesar do Brasil e de 2020, que puta título, hein, seu Paulo César Batista de Faria?

Corta para um clichê: Paulinho da Viola completará 78 anos no próximo 12 de novembro, mas quem ganha o presente, antecipado, é o fã-clube. Fecha clichê.

Como bem cantou Caetano Veloso: “viva o Paulinho da Viola!”.

Dissecando Joãozinho

Ricarte Almeida Santos, Joãozinho Ribeiro e o blogueiro, em alguma edição do Clube do Choro Recebe. Autor desconhecido.

Daqui a pouco, às 16h, participo do “Café com Direitos Humanos – Lives em tempos de pandemia”, atividade semanal que a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) inventou para não deixar cair a peteca dos debates acerca do tema, diante da impossibilidade dos encontros presenciais, em razão do isolamento imposto pela crise sanitária causada pela covid-19.

O tema de hoje é “Cultura e resistência: obra e arte de Joãozinho Ribeiro” e além daquele cujo engenho criativo será dissecado na cerca de hora e meia de programação, estará comigo o sociólogo e radialista Ricarte Almeida Santos; ou seja, estou em casa, em vários aspectos: numa live realizada por uma entidade que assessorei e presidi, ao lado de dois amigos de copo e de cruz.

Vida, obra e militância em Joãozinho Ribeiro são praticamente uma coisa só: poeta, compositor, gestor cultural e funcionário público aposentado, seu livro (Paisagem feita de tempo, de 2006, há tempos merecendo uma reedição), seu disco (Milhões de uns – vol. 1, de 2013, há tempos merecendo um segundo volume) e seus poemas e canções (registradas por inúmeras vozes ao longo destes mais de 40 anos de carreira) não raro trazem preocupações e questionamentos políticos e sociais, embora, obviamente, não se limite a estes temas.

A foto que abre-ilustra este post, cuja autoria me foge à memória, é de alguma edição do saudoso Clube do Choro Recebe, que Ricarte Almeida Santos produziu entre 2007 e 2010 no Restaurante Chico Canhoto, de saudosa memória, projeto que assessorei, continuando trajetória iniciada justamente com Joãozinho Ribeiro: meu primeiro trabalho remunerado, como assessor de comunicação, foi justamente seu projeto Samba da Minha Terra (2002-3), que levou o samba e o choro – talvez os “departamentos” mais inspirados de sua música – a diversas comunidades da ilha, com vários convidados especiais a cada edição. Merecidamente vencedor de diversas categorias do também saudoso Prêmio Universidade FM.

Por falar em convidados especiais, arremato com um deles: certo dia, ao fim do expediente, encontrei-o na banca de revistas de Dácio, no estacionamento da Praia Grande. Paisagem feita de tempo, então recém-lançado e ainda encontrável nas melhores casas do ramo, figurava nas prateleiras. O compositor Antonio Vieira, referendando a qualidade da obra poética de Joãozinho, abriu o livro numa página, recitou uma quadra – “Debaixo da ponte há um mundo/ feito de gente esquecida/ crianças sonhando infâncias/ infâncias queixando a vida” – e arrematou: “é poeta!”.

A transmissão da live acontece pela página da SMDH no facebook. Até lá!

Serviço:

Divulgação

Uma lufada de alegria, beleza e inteligência

[Com as bênçãos de Celso Borges e Otávio Rodrigues, baita honra e enorme responsabilidade ter recebido o convite para escrever o release oficial deste disco lindo, que chega às plataformas no próximo dia 30]

Maestro Tiquinho em sessão de gravação de "Trombonesia". Foto: Paola Vianna
Maestro Tiquinho em sessão de gravação de “Trombonesia”. Foto: Paola Vianna

O apelido no diminutivo usado como nome artístico não traduz, de cara, a grandeza de Marco Aurélio de Santis. Maestro Tiquinho, como acabou ficando conhecido no meio musical, é um desses arquitetos da música popular brasileira cujo nome quase nunca figura nas placas de inauguração das obras, mas está lá para quem quiser ver e ouvir. Fossem os meios de comunicação mais dispostos ao aprofundamento e os ouvintes em geral mais curiosos, o trombonista seria merecidamente mais conhecido.

De Chico Science a Gal Costa, passando por Chico César e Zeca Baleiro, além de Elza Soares, Marcelo Jeneci, Jorge Benjor, Seu Jorge, Gilberto Gil, João Donato, Tom Zé, Erasmo Carlos, Nando Reis, Skank, Tião Carvalho e Papete, entre outros, além de bandas que integra/ou – Professor Antena, Clube do Balanço, Karnak e Funk Como Le Gusta –, pelo leque é possível perceber a abrangência de seu trombone elegante.

"Trombonesia". Capa. Reprodução. Arte de Gian La Barbera
“Trombonesia”. Capa. Reprodução. Arte de Gian La Barbera

Tiquinho acaba de lançar o aguardado e merecido disco solo de estreia, “Trombonesia”, título que evoca o encontro de seu conteúdo: o trombone do mago com a poesia, pelas vozes dos dub poets André Abujamra, Celso Borges, Chico César, Fernanda Takai e Zeca Baleiro, convidados mais que especiais que contribuem para o brilho e a brisa dessa tertúlia poético-musical. O álbum foi realizado através do Edital de Apoio à Criação Artística – Linguagem Reggae – da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

““Trombonesia” não é apenas o nome do álbum, mas uma palavra que nasce para unir sons, artes e estilos, sem usar de estereótipos ou padrões definidos”, afirma ele, ao mesmo tempo ourives e alquimista. Produzido por BiD, gravado ao vivo no estúdio Space Blues por Alexandre Fontanetti, e mixado por Victor Rice, todos magos em seus ofícios, o disco é arejado e ensolarado, com ecos de nomes como Don Drummond, Joseph Cameron, Nambo Robinson, Rico Rodriguez e Vin Gordon, para citar alguns de seus colegas de instrumento, em cujas fontes certamente Tiquinho bebeu para embriagar-nos.

Se aqueles foram fundamentais para o que acabamos por chamar de “clima” ou “mística natural” do reggae jamaicano, Tiquinho navega com desenvoltura por estes m/ares, aproximando Jamaica e Brasil – o sopro do paulista de Bauru nos leva a voar e pousar precisamente em São Luís do Maranhão, não à toa alcunhada Jamaica brasileira.

Mas tudo isto é pouco para tentar entender, explicar, rotular ou traduzir sua sonoridade (o que, na verdade, é tarefa impossível): ao mesmo tempo você está em um clube de reggae, em uma festa de sound system, em um baile black. O tempo é tema recorrente no repertório e os tons afogueados do projeto gráfico (de Gian Paolo La Barbera) ajudam a entender imediatamente que a coisa é quente.

Tiquinho assina todas as composições e arranjos do disco, em que é acompanhado por Edu SattaJah (contrabaixo elétrico e acústico), Rogério Rochlitz (piano acústico, órgão Hammond e piano elétrico), Che Alexandre Caparroz (bateria) e Simone Sou (percussão em “Oriente-se”). Em tempos de “duelo de eu e ego” (como salienta Chico César no canto falado de “Oriente-se”) “Trombonesia” é uma lufada de alegria, beleza e inteligência, estes ingredientes de brasilidade que alguns tristes andam querendo caçar nestes tempos de trevas – que Maestro Tiquinho e suas boas companhias teimam em iluminar. Para sorte e felicidade nossa! Jah bless!

Serviço: lançamento de “Trombonesia“, disco solo de estreia de Maestro Tiquinho. Dia 30 em todas as plataformas digitais.

Quanto mais mano, mais humano

O cantor e compositor Claudio Lima. Foto: divulgação
O cantor e compositor Claudio Lima. Foto: divulgação

Uma feliz coincidência paira no meio musical maranhense: semana passada o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro lançou, em seu canal do youtube, o reggae “Ser o mano”, interpretada pelo baterista e cantor George Gomes.

Neste sábado é a vez do cantor e compositor Claudio Lima lançar o samba “Ser o mano”.

Joãozinho, que celebrou ano passado as quatro décadas de carreira musical, aprofundou a usina produtiva após a aposentadoria – era funcionário da Receita Federal –, como prova sua produção mais recente, destaque para o “Frevo desaforado”, interpretado por Zeca Baleiro e lançado no último carnaval, e “Amor maior”, balada gravada por Rita Benneditto, lançada em live no último dia dos namorados, já sob o signo da pandemia.

Claudio Lima reprisará – “com alguns retoques no repertório e na interpretação” – o show “Com a lira”, bisado ano passado, sucesso de público e crítica. Desta vez ele troca o feliz trocadilho pelo explícito “Qualhira”, título de canção que Zeca Baleiro fez para ele. No repertório, canções de temática homoafetiva ou de compositores assumidamente homossexuais, entre nomes como Angela Ro Ro, Caio Prado, Chico Buarque, Gilberto Gil, Johnny Alf, Milton Nascimento e Renato Russo – de minha parte torço para que, como disse-lhe nalgum bastidor, some-se a eles o Mário Manga de “Rubens”, sucesso do Premeditando o Breque e Cássia Eller.

O single estará disponível nas plataformas de streaming neste sábado (3) e o show/live de lançamento acontece sábado que vem (10), às 17h, na Casa d’Arte (Raposa), com participação especial de Zeca Baleiro.

“Mano meu/ que na diáspora se perdeu/ mas o que foi que aconteceu?/ Com os filhos teus?/ Mano meu/ que Mama África esqueceu/ e na senzala escorreu/ todo sangue seu/ ser mano é ser livre/ ser mano é ser banto/ ser mano é ser canto/ Benin, Daomé/ ser mano é ser rasta/ e nunca ser casta/ orgulho da raça/ e o que mais quiser”, diz a letra do reggae de Joãozinho Ribeiro, aludindo à escravidão e a seu herdeiro, o racismo nosso de cada dia.

“O que adianta ser o mano/ se os mano não tá bem?/ nem mesmo pra lutar?/ O que adianta ter dinheiro/ e ser um prisioneiro?/ morando numa bolha/ de falsos privilégios?/ Dia após dia resistindo/ contra essa crueldade/ de quem só quer ver à margem/ os que lhe são diferentes?/ Olho no olho/ gente é gente”, começa o samba de Claudio Lima, com citações de Caetano Veloso e Torquato Neto.

Rebobina a fita para 2005: após participar do show de aniversário de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Gildomar Marinho compôs “O mano”, que se soma a esta luta, causa, tema e quase ao trocadilho.

Após dividir o palco do Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande) com Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Lena Machado e o Bloco Afro Akomabu, Gildomar escreveu: “O mano quer ser ser humano/ e é do ser humano merecer ser humano/ e ser humano é poder ter nome, lar, sobrenome/ e com os seus conseguir matar a sede e a fome/ ter paz, ter pão e ser muito feliz”, diz a letra que aponta direitos humanos fundamentais, como a vida, alimentação adequada, moradia digna, liberdade, sonhos e futuro.

A música foi registrada em 2006, no disco “Regar a terra”, que reúne diversos nomes da música popular brasileira produzida no Maranhão e celebrou os 20 anos do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) no estado; o autor a regravaria em “Tocantes” (2012), seu terceiro disco. As três obras contribuem com a reflexão acerca dos direitos humanos pela via do lúdico.

Quanto mais mano, mais humano. Claudio Lima, Gildomar Marinho e Joãozinho Ribeiro são três artistas que nos representam na luta contra o triste estado de coisas que assola o país (e o mundo), diante do avanço da extrema-direita e de suas pautas reacionárias, que não admitem qualquer ideia de diversidade.