Turíbio Santos toma posse e faz concerto na AML

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Turíbio Santos está de volta à sua Ilha natal: veio para tomar posse na Academia Maranhense de Letras (AML), para a qual foi eleito em outubro passado. Ocupará a cadeira nº. 28, que pertencia ao poeta José Chagas, falecido em maio de 2014. A solenidade de posse, para convidados, acontece amanhã (17), às 19h30, na Casa de Antonio Lobo (Rua da Paz, 84, Centro). No dia seguinte (quinta-feira, 18), no mesmo local e horário, o violonista dará um concerto beneficente – a renda será revertida em favor da AML. Os ingressos custam R$ 50,00 e podem ser adquiridos pelo telefone (98) 99909-0653. A iniciativa foi do próprio músico.

Aos 72 anos, Turíbio Santos é um dos mais conhecidos e respeitados violonistas no mundo – radicado no Rio de Janeiro, já morou na França e é dono de discografia monumental, com destaque à divulgação da obra de Heitor Villa-Lobos. À beira da piscina do hotel em que está hospedado, acompanhado da esposa Marta e do amigo João Pedro Borges, o músico conversou com o blogue.

Titular da cadeira 38 da Academia Brasileira de Música (AMB) desde 1992, recentemente presidiu a instituição. Ele declarou-se emocionado com a eleição para a AML. “É muito emocionante, é minha terra, sou muito ligado a São Luís. Mudei daqui com três anos de idade, mas meu pai vinha praticamente todo ano para cá e o felizardo que vinha com ele era eu, menino ainda. Íamos para a Rua das Hortas [no Centro], um casarão daqueles maravilhosos, com o quintal enorme. O que isso faz com a cabeça de uma criança é espetacular. Eu tenho lembranças assim, de ficar esperando o bonde, botando bolinha de gude no trilho para fazer cerol depois, pra empinar pipa. Era um sonho total. São Luís representava liberdade pra valer”, lembra, emocionado.

Para ele, assumir uma cadeira da AML é um processo natural. “Eu já era sócio correspondente, essa iniciativa foi do Jomar Moraes [escritor, membro da AML], que me ligou. Aí veio essa questão de assumir uma cadeira, novamente o Jomar. Eu fiquei um pouco preocupado com a questão do tempo. Depois entendi o que era. É uma homenagem a um filho da terra, o que achei muito justificado”.

Entre os livros publicados por Turíbio Santos destacam-se Heitor Villa-Lobos e o violão [1975], Segredos do violão [1992], Mentiras… ou não? Uma quase autobiografia [2002] e Álbum de retratos – Turíbio Santos (de Hermínio Bello de Carvalho) [2007], além da recém-lançada autobiografia Caminhos, encruzilhadas e mistérios [2014], cujo encarte traz um dvd com o músico executando peças de Villa-Lobos, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Chiquinha Gonzaga.

O músico lembrou também o início da carreira: um concerto em julho de 1962, num completamente lotado Teatro Arthur Azevedo (TAA), promovido pela Sociedade de Cultura Artística Maranhense (Scam). “Minha carreira começou em São Luís por acaso. Dona Lilah Lisboa [pianista que dá nome à Escola de Música do Estado do Maranhão] era presidente da Scam, e ela me viu tocar numa festinha, ficou encantada. Eu tinha 19 anos, nem sabia o que era ser profissional. Ela me disse: “você tem que vir”; retruquei: se a senhora pagar a passagem de meu pai, ele há muito tempo não vem aqui, vai ser uma grande alegria para a família”. Ela topou e eu fiz o meu primeiro concerto. Quatro dias depois eu fiz para o Sesc, no mesmo local, outro concerto”, conta.

Turíbio afirmou não conhecer profundamente a música produzida atualmente no Maranhão. Disse se atualizar através de presentes de amigos, quando de suas vindas à capital, geralmente cds de bumba meu boi e outras manifestações da cultura popular. “A música daqui é muito forte. Há uma espécie de clima geral nesse ambiente do planeta, onde todos os países viram caribenhos. São Luís tem uma coisa com o Caribe muito forte. Seja a brisa, a influência da cultura negra, as mulheres bonitas, as músicas muito sensuais, todas”, elogiou.

Semana passada o violonista realizou três concorridas apresentações no Clube do Choro de Brasília/DF. Sobre o concerto que fará um dia após a posse na AML adiantou que buscará lembrar parte do repertório do primeiro concerto, há mais de 50 anos. “Eu recapitulo permanentemente [a trajetória]. Aqui eu vou recapitular de propósito, nesse concerto na Academia Maranhense de Letras, um pouco do repertório do meu primeiro concerto no Teatro Arthur Azevedo. Eu fui ver detalhadamente o repertório, e vi que havia peças consistentes, peças difíceis, poderosas, do repertório do violão: Variações sobre um tema de Mozart, de Fernando Sor, A catedral, de Augustin Barrios, músicas de Villa-Lobos, inclusive o Choros nº. 1”, adiantou.

Indago-lhe se o discurso para a posse já está pronto. Bem humorado, abre um sorriso e responde: “Já!”. Volta a falar da posse, não sem um quê de poesia: “Esse ato coloca um selo definitivo na minha ligação com São Luís”.

Fernando Pessoas

“O poeta é um fingidor”, disse Fernando Pessoa, o poeta português. Ele que foi vários, por isso o título trazendo seu sobrenome no plural.

O poeta também pode ser um teimoso, obstinado. Por boas causas. Assim é, do lado de cá do Atlântico, o também jornalista Paulo Melo Sousa, que há um tempo articula o Papoético, debate-papo semanal sobre temas de arte e cultura os mais diversos.

É ele quem está articulando, via Papoético, a vinda à São Luís da professora Teresa Rita Lopes, da Universidade de Lisboa e do Instituto de Estudos Modernistas (IEMO), uma das maiores autoridades em se tratando da obra de Pessoa. Ou dos Pessoas.

A professora doutora e escritora ministrará a oficina Fernando Hiper Pessoa, para a qual as inscrições já estão abertas e podem ser feitas na Livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande, (98) 3232-4068) e/ou na Academia Maranhense de Letras (Rua da Paz, 84, Centro, (98) 3231-3242, ao custo de R$ 60,00 (profissionais) e R$ 30,00 (estudantes).

Fernando Hiper Pessoa acontece de 25 a 28 de setembro, das 18h às 21h, no Auditório do Palácio Cristo Rei (Praça Gonçalves Dias, Centro). O evento tem apoio do Serviço Social do Comércio (SESC), AML, Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Restaurante Dom Francisco, Gabinete do Deputado Estadual Bira do Pindaré, Restaurante e Buffet Cantinho da Estrela, Livraria Poeme-se e Banca de Revistas da Praia Grande (Dacio Melo).

Maiores informações sobre a oficina podem ser obtidas com o próprio Paulo Melo Sousa, vulgo Paulão, pelo telefone (98) 8824-5662 e/ou e-mail paulomelosousa@gmail.com

José Sarney e sua síndrome biográfica

José Sarney continua obcecado com a ideia de fraudar a história e reinventar sua biografia. A ladainha do mitômano já é conhecida. O livro de Regina Echeverria, por exemplo, lançado há um ano, foi uma evidente compilação de patranhas.

O último ato decorrente desta síndrome, veio à tona no último dia 27 de março. Nesta data, foi anunciado na TV Guará (repetidora da Record News, no Maranhão), a estreia do programa Avesso, trazendo “uma entrevista com José Sarney”, cuidadosamente divulgada (e depois repercutida) no sempre governista O Imparcial. O entrevistador, propagado com relativo estardalhaço, foi o escritor, cronista e teatrólogo Américo Azevedo Neto, confrade do entrevistado na Academia Maranhense de Letras (AML).

No discurso de Sarney, no lugar do ex-presidente da ARENA, aparece de súbito “um democrata”; em vez do afilhado e ex-correligionário de Vitorino Freire, surge um “oposicionista firme e corajoso”; o notório corrupto torna-se o intelectual de “prestígio internacional”; um inescrupuloso e burlesco Odorico Paraguaçu posa de “estadista”; o aliciador odiento e vingativo se disfarça numa figura “generosa” e “sem ressentimentos”; o aliado visceral de torturadores é “quase um comunista” e o protetor de latifundiários assassinos, quer se passar por um “cristão radical”, a “nossa” Madre Teresa de Curupu…

Quanto à tertúlia na TV Guará, a emissora do opulento Roberto Albuquerque (agora, bem cevado pelo governo Roseana e por “generosas” empresas), ninguém falou da famosa “universidade da fraude”, nas urnas de “Zé meu filho”, nas diabruras do desembargador Sarney Costa, nas velhas chicanas jurídicas, no golpe de 64, no AI-5, na construtora Mendes Junior, nos ilícitos junto ao Diário Oficial, no processo contra Ribamar Bogéa e Freitas Diniz, na Lei de Terras, nas baixarias do Jornal de Bolso, na brutal grilagem ocorrida no Maranhão, nos inúmeros assassinatos no campo, na Fazenda Maguari, na tortura, no atentado contra Manoel da Conceição, na inflação de quase 100% ao mês, no desastre da Nova República, na CPI da Corrupção, na distribuição de concessões de TV, no Caso Reis Pacheco, do Convento das Mercês, etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc. etc.

A entrevista foi apenas uma sequência das velhas e surradas mentiras do entrevistado, que a TV Guará “esqueceu” ser hoje uma das figuras mais desmoralizadas do Brasil (uma chacota, de cabo a rabo do país). Ao final, não podia ser diferente, ficou tudo muito ruim… Num programa batizado como Avesso (o oposto, o outro lado), o que se viu nesta edição de estreia foi mais do mesmo: a velha propaganda sarneyista que não convence rigorosamente a ninguém.  Como disse o ex-senador Artur da Távola, sobre o discurso de Sarney no “Caso Lunus”: “A montanha pariu um rato…” E acreditem!: hoje, é bem possível que até Dona Marly tenha vergonha deste tipo de presepada do filho do desembargador…

E roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão…

[Editorial publicado no site do Vias de Fato. Detalhe curioso pra quem não tiver se ligado: Américo Azevedo Neto é pai de Emílio Azevedo, um dos editores do jornal, cuja edição de março já está nas melhores bancas da Ilha. Honra em colaborar com um jornal em que o departamento comercial não se sobrepõe à redação, em que laços políticos e/ou familiares não interferem na informação e na verdade; a charge de Nani eu já havia publicado aqui]