Eu voto. E digo em quem.

Interrompemos nossa programação para transmitir a propaganda eleitoral gratuita. Neste caso, gratuita mesmo!

Como de praxe, eleição após eleição, este blogue/iro tem lado. E declara.

Aprendi a lição com a revista Trip, desde sempre uma de minhas prediletas, que li com muita assiduidade entre o fim da década de 1990 e os anos 2000. A revista foi a primeira a recusar propaganda de tabaco em suas páginas, iniciando uma campanha que culminaria com a proibição da propaganda de cigarros no Brasil, contribuindo para a redução do consumo e, consequentemente, de doenças como o câncer de pulmão, para o qual perdi minha avó no último dia 25 de outubro. E a Trip também estampou em capas sua posição a favor do estatuto do desarmamento, legislação que, conforme estudos, ajudou a preservar vidas ao longo de cerca de década e meia de vigência, que só viria a ser fragilizada com a chegada dos neonazistas milicianos ao poder central.

Jornalismo imparcial é quimera. Voltemos a 2018, para um exemplo recente: na segunda-feira (8 de outubro) após o primeiro turno das eleições, quando se definiu a disputa entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (então no PSL) no segundo turno, o jornal O Estado de S. Paulo tacou “uma escolha muito difícil” em título de editorial. Posavam de “isentões”, mas obviamente tinham lado. Sabiam exatamente o que estavam fazendo. E talvez daqui a 50 anos publiquem uma nota, dizendo-se arrependidos do que fizeram.

No pleito que se avizinha, domingo que vem (15), feriado da Proclamação da República, aniversário de minha irmã, sairei de casa com uma máscara escrito “fora Bolsonaro!” para votar em Rubens Jr. (65) para prefeito e em Emílio Azevedo (40021) para vereador.

Ambos são combatentes de primeira hora do bolsonarismo e é preciso superar esta tragédia que se abateu sobre o Brasil começando por suas bases. Um recado primordial a ser dado já neste domingo é o início do enfraquecimento eleitoral da familícia.

Rubens Jr. foi ótimo parlamentar em seus mandatos e tinha tudo para ter sido um também muito bom secretário de Estado de Cidades, não tivesse a pandemia atrapalhado seus planos – o programa Nosso Centro é o exemplo mais visível de suas ideias para uma cidade patrimônio, que conjugue em sua paisagem monumentos, casario, história e, principalmente, sua gente. Tem por candidato a vice-prefeito Honorato Fernandes (PT), combativo vereador, que não se encastela em seu gabinete, mas vive a cidade – antes da pandemia, vez por outra nos encontrávamos em eventos prosaicos, nada a ver com aquelas aparições de vereadores “típicos” que o fazem apenas para parecerem populares. Este é popular de verdade!

Emílio Azevedo é jornalista de profissão, comprometido desde sempre com o combate à desinformação, modus operandi de Jair Bolsonaro se eleger e governar. Sua trajetória jornalística e política se confundem, tendo sido um combatente da oligarquia Sarney – o movimento Vale Protestar, de que ele foi uma das principais lideranças, deu na criação do jornal Vias de Fato (de que fui colaborador entre 2009 e 2016) e, em sequência na Agência Tambor, experiência coletiva de webrádio com pautas populares e progressistas.

Escolheu como motes de campanha o combate ao bolsonarismo e o voto livre, contra a lastimável e desavergonhada prática de compra de votos, que infelizmente ainda acaba por conduzir e reconduzir alguns edis ao prédio da Rua da Estrela, na Praia Grande. Angariou apoios importantes durante a campanha bonita, aguerrida e propositiva. Nomes como Cesar Teixeira (autor do samba-jingle de campanha), Ed Wilson Araújo e Flávio Reis votam e pedem votos para Emílio Azevedo.

Declarados os votos, repito o que já disse a alguns interlocutores mais próximos: há tempos eu não via uma campanha com tantos bons candidatos. Ou seja: São Luís terá uma câmara municipal ruim se o povo quiser – ou a prática viciosa da compra de votos não permitir.

Voto em Rubens Jr. (65) para prefeito e em Emílio Azevedo (40021) para vereador. Para a câmara municipal, torço também pelas eleições de Ademar Danilo (65444), o mandato coletivo de Carla Rose Tássia (13013), Creuzamar (13000), Natanael Jr. (23023), Rafael Silva (40221) e Wesley Sousa (36000) – nomes que, uma vez lá, podem dar uma sacudida na casa e consequentemente na ilha. É justamente do que a casa e a ilha precisam.

Ao propor ‘ruptura’, Lobinho expõe contradições

Lobinho em pele (ou bigode) de Sarney. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (com intervenção de Zema Ribeiro)
Lobinho em pele (ou bigode) de Sarney. Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado (com intervenção de Zema Ribeiro)

Exemplos existem aos montes de filhos rebeldes, com ou sem causa, que por discordâncias radicais na maneira de os pais conduzirem as coisas em casa – ou por motivos outros – deixam o conforto do lar dos genitores para arriscarem-se em aventuras longe dali.

De dentro não há ruptura possível, no máximo divergências pontuais, passíveis de solução via diálogo – ou não. Candidato da oligarquia Sarney nas eleições que se avizinham, o senador Edison Lobão Filho, vulgo Lobinho, fala em ruptura com o grupo político a que pertence, em matéria veiculada hoje pelo jornal Valor Econômico (Candidato dos Sarney propõe ‘ruptura’, link para assinantes com senha e/ou leitores cadastrados).

O dono do Sistema Difusora parece já ensaiado por marqueteiros e desfila diversos jargões na tentativa de antecipar-se ao período de angariar votos, a campanha propriamente dita, oficialmente ainda não iniciada, mas já tendo atingido o baixo nível típico do que os maranhenses costumam ver no período, some-se aí a propaganda eleitoral gratuita em rádio e tevê, além do “jornalismo” cometido nos meios de comunicação tradicionais – sobretudo de sua propriedade e de aliados – e nos blogues (regiamente pagos).

Herdeiro político do pai, o ministro das Minas e Energia Edison Lobão, Lobinho ocupa uma cadeira no Senado sem ter movido um músculo sequer para tanto. Não precisou nem sorrir. Como romper com o grupo que lhe deu tudo o que Lobinho tem?

Como ele não tem “críticas profundas à forma de gestão de Roseana” e, caso eleito, governaria de forma “completamente diferente”? Afinal de contas, Lobinho é “o novo”, “a ruptura”, ou não?

O postulante ao Palácio dos Leões fala em governar o Maranhão como se gerencia uma empresa. Disso ele pode até entender, mas devagar com o andor: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma empresa visa lucro e pouco importa a realidade do entorno ou as condições de quem nela trabalha, desde que seus donos possam dormir tranquilos depois de analisar as planilhas de mais um dia e confraternizar-se em restaurantes finos, com drinques cujas doses valem, cada, bem mais que um mês de trabalho de seus operários.

Mas isto já acontece, talvez me digam os poucos mas fiéis leitores. Logo, não haveria ruptura. Não me parece ser este o destino desejado por quem vive por aqui.