Com programa fraco, Globo quer continuar ditando moda no mundo da música pop(ular)

A bancada do Superstar. Foto: João Miguel Jr./ Rede Globo/ Divulgação

A TV Globo estreou ontem (6) mais um programa caça-talentos. Apresentado por Fernanda Lima – que não convenceu –, Superstar oferece à banda vencedora um prêmio que inclui um carro exclusivo, 500 mil reais em dinheiro e um contrato com a gravadora Som Livre, que lança gente como Roberto Carlos e as trilhas das novelas da emissora.

Exibido após o Fantástico, o programa é parecido com o recém-exibido The Voice, por que não basta copiar, tem que manter os nomes estrangeiros. Dá até pra dizer que este Superstar é um The Voice de bandas. Na bancada, os futuros padrinhos das bandas classificadas, Ivete Sangalo, Fábio Jr. e Dinho Ouro Preto, além do público, através de um aplicativo, ajudam a definir quem passa às próximas fases.

O do meio, ao menos na estreia do programa, era o mais equilibrado. A baiana era a “deslumbrada”, dançando e vibrando e apertando rapidamente o sim azul a qualquer coisa que aparecesse; o Capital Inicial, sempre iniciando suas frases com um ridículo “velho”, apertava o não vermelho a qualquer coisa que destoasse de algo mais próximo do rock, uma espécie de preconceito de gênero – musical.

Bandas diversas, de estilos idem, se apresentaram ontem, entre repertório autoral e covers. Nada fora do comum, nada digno de nota, eu diria. Podem até me pedir a paciência que eu finjo ter, que era o primeiro programa e blá blá blá. Não creio. Não acredito no formato. Dali pode até sair a nova sensação das paradas de sucesso, a nova febre musical do momento, mas nunca um Roberto Carlos, para citarmos novamente um eterno campeão de vendas. Talvez a emissora atinja seu objetivo: dá a uns desconhecidos a chance de gravar um disco com grande tiragem, alguma fama e a volta ao ostracismo. Difícil fugir deste esquema, não se iludam. Ou talvez eu seja ranzinza demais, vontade (ou esperança) de ver algo diferente e inteligente na tevê aberta (é possível!).

Uma coisa, a meu ver, ficou provada: o público que assistiu ao programa ontem é bem mais criterioso que o trio de sua bancada.

Os hits do Ritchie

Em geral Ritchie é um cara subestimado. A vida tem dessas coisas, música que abre este post, é parceria com Bernardo Vilhena, talvez seu parceiro mais constante, com quem assina quase todo o Voo de coração (de 1983, época em que a palavra vôo ainda tinha acento), disco de músicas até hoje assobiadas por aí, como Pelo interfone e Menina veneno, seu maior hit, ambas também parcerias Bernardo Vilhena.

Em algumas faixas do disco aparecem Liminha (contrabaixo), Lulu Santos (guitarra) e Lobão (bateria), entre outros, os dois últimos egressos da Vímana, banda que Richard David Court, nome de pia de Ritchie, formou quando desembarcou no Brasil, ainda na década de 1970, quando era um inglesinho de “20 e poucos anos” (mas isso já é título de música de Fábio Jr.).

Em 1984 Ritchie participaria também de Velô, disco de Caetano Veloso: os dois cantam juntos Shy Moon, composta em inglês pelo baiano.

Ritchie está na ativa e com disco na praça, 60, alusão à sua idade. O sessentão faz show hoje em São Luís, no projeto Gênesis in Concert, que celebra alguma efeméride da boate que já foi febre na capital maranhense. Abre a noite o DJ Salim Lauande, um de seus sócios-fundadores-proprietários.