Mobgrafia e gastronomia se encontram em curso

Veruska Oliveira ensinará em duas turmas como melhorar aquela foto de comida feita com o celular

Receita e foto: Guta Amabile
Receita e foto: Guta Amabile

Com o advento dos smartphones a mobgrafia virou tendência, praticada mesmo por quem não sabe o significado do termo: fotografia realizada a partir de dispositivos móveis, como telefones celulares.

Parece um caminho sem volta, o que nem de longe significa apregoar a morte de máquinas fotográficas ou a extinção da profissão de fotógrafo – já incorreram neste erro os que disseram que a televisão ia matar o rádio e uma longa lista de etc.

Seja qual for a finalidade da prática da mobgrafia por usuários comuns – publicação em redes sociais ou envio para amigos e familiares em aplicativos de bate-papo, entre outros – a questão parece ser que em qualquer prática, profissional ou amadora, deve-se sempre buscar o aprimoramento.

Numa época de exagerada produção de imagens o que garante que esta ou aquela foto terá mais destaque (curtidas, comentários, compartilhamentos – afinal de contas, não é isso o que importa?) nas esquinas da vasta selva chamada internet?

É o que se propõe a refletir e ensinar a fotógrafa Veruska Oliveira, uma das mais respeitadas profissionais da área no Maranhão, responsável pelos ensaios fotográficos dos álbuns da cantora Alexandra Nicolas – Festejos (2013) e Feita na pimenta (2018) – e autora de, entre outros, Impressão do silêncio (2017), resultado de um curso em que ensinou a arte a pessoas surdas – o livro tem texto deste repórter, baita honra.

Em duas turmas – nos próximos dias 10 e 23 de março, das 10h às 15h – a fotógrafa ministrará o curso Fotografia de Gastronomia com Celular, com custo de R$ 120,00 (almoço incluso). As inscrições estão abertas pelo telefone (98) 98428-0140 ou instagram @veruskaoliveirafoto, no direct. Para participar, basta ter um celular.

“Nosso objetivo é mostrar que é possível fazer imagens melhores com os recursos que estão à nossa disposição. Não existem segredos e mistérios. Vamos aprender a ler as imagens de uma melhor forma, explorar iluminações, ângulos, perspectivas e composições de cena”, adianta ela sobre o conteúdo do curso breve.

Veruska não acredita que a mobgrafia seja uma febre, uma moda passageira. “A fotografia é apaixonante, sempre foi. Desperta sentimentos, sensações, encanta, traz lembranças. A fotografia não mudou tanto assim, ficou apenas mais acessível. Assim como os livros e a leitura quando mais pessoas foram alfabetizadas: sua mente se abriu para a linguagem escrita e o mundo da leitura e escrita. Estamos fotografando mais por que as ferramentas para registar a cena estão à mão”, acredita.

Aproveitando a conversa exclusiva que teve com Homem de vícios antigos, ela adiantou, sem revelar detalhes, novos projetos para 2020: “Vamos começar a fotografar diversos municípios do Maranhão. Faremos também projetos em parceria com outros fotógrafos profissionais e amadores buscando mostrar um novo olhar, além de uma exposição fotográfica, tema ainda em sigilo, envolvendo várias pessoas e profissionais. 2020 é um ano de integrar, expandir, reunir visões diferenciadas e aproveitar este novo momento que a fotografia vive”, revela.

Delícias do Mar(anhão)

O Fideuá Casa d'Arte é um dos destaques do festival. Foto: ZR
O Fideuá Casa d’Arte é um dos destaques do festival. Foto: ZR

 

Nem só de língua de boi vive o homem – e a mulher (grávida) –, dona Catirina! Ao menos é o que demonstra o II Festival Gastronômico, promovido pelo Sebrae/MA, que agrega 47 restaurantes em nove municípios maranhenses, com pratos à base de frutos do mar – Delícias do mar é o tema desta edição, que também contempla sobremesas à base de frutas regionais – lista completa de municípios, restaurantes, pratos e sobremesas no site do festival.

Lançado hoje (5), em evento para convidados no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, o festival acontece até o próximo dia 23. Além da lista no site e em material impresso de divulgação, os restaurantes terão banners identificando sua presença no circuito. Os presentes puderam degustar as delícias dos 18 restaurantes de Raposa, São José de Ribamar e São Luís que participam.

A iniciativa é importante: quem souber do festival, procurará conhecer os restaurantes participantes e, por sua vez, os pratos preparados especialmente para a ocasião – vendidos a preços mais baratos.

O aumento da participação é visível: na primeira edição, em 2015, eram 21 restaurantes. Gosto de pensar também na contribuição para o turismo e a superação de preconceitos: muita gente, ao ver o número de restaurantes em determinado município já não pensará naquela localidade como algo inferior, indigno de atenção, mas como um polo gastronômico, boa oportunidade de conhecer este ou aquele lugar – e seus respectivos pratos.

Percorrendo os stands – que eu prefiro chamar de barracas – degustando os diversos pratos, se percebe também a heterogeneidade dos participantes: da franquia China in Box, passando por casas, digamos, mais chiques, como o Feijão de Corda, Thai e a Pizzaria Vignoli, até estabelecimentos, digamos, mais roots, como o Por do Sol, em Raposa, para ficarmos em exemplos apenas entre os que estavam neste lançamento – outros eventos acontecerão em outros municípios.

Os presentes também puderam degustar o som do Criolina. Foto: ZR
Os presentes também puderam degustar o som do Criolina. Foto: ZR

Gastronomia é cultura e os que já estávamos provando de tudo um pouco antes e durante as falas das autoridades presentes, continuamos ao longo do pocket show do Criolina – Alê Muniz e Luciana Simões acompanhados de João Simas (guitarra) e Rui Mário (teclado e sanfona) –, que, não à toa, começou por Catirina (Josias Sobrinho), a quem aconselhamos no início deste breve e pantagruélico relato.

Entre o que experimentei hoje destaco o Fideuá da Casa d’Arte, o Canelone de caranguejo da Casa Rossini e a Mariscada do Léo da Tia Mundoca (em que a tarioba se sobressai deliciosamente) – o primeiro e o último, em Raposa.

Certamente vale a pena (tentar) conhecer todos os restaurantes e (tentar) provar todos os pratos. O Delícias do Mar é um festival de muito bom gosto. Literalmente.

Quem sabe das coisas mete a mão na cumbuca

Foto: Carolina Libério
Foto: Carolina Libério

 

Cumbuca é palavra que guarda sonoridades. É cuia, simplesmente, outra palavra interessante. A primeira vem do tupi kui’mbuka, “espécie de cuia”. Quem nunca tomou um banho de cuia não sabe o que está perdendo, embora do fruto da cuieira se façam também outros usos.

Como o que as Afrôs fazem em show hoje (7) no Barulhinho Bom (Rua da Palma, 217, Praia Grande), às 21h: Na cumbuca com Afrôs. A ideia é aliar música e gastronomia: da cumbuca sonora do grupo a sonoridade mestiça, calcada nos tambores tocados por mulheres, nos riffs de guitarra e no groove do contrabaixo; doutra cumbuca o sabor de surpresa inusitada preparada pelo chef Pieter, proprietário do restaurante.

A banda é formada por Cris Campos (percussão e voz), Fernanda Pretah (percussão e voz), Rebeca Alexandre (percussão), Hugo César (violão e guitarra), Jânia Lindoso (percussão), Melannie Carolina (contrabaixo e voz), Fofo Black (percuteria) e Tieta Macau (performer).

No repertório, músicas autorais, do primeiro EP do grupo, o homônimo Afrôs, além de inéditas e clássicos dos terreiros do Maranhão, todas com pegada dançante para instigar a interação com o público. O show de hoje é o primeiro de uma série com essa proposta, e percorrerá diversas casas em São Luís. Nesta edição inaugural as Afrôs recebem a cantora Dicy Rocha e o dançarino Igor Gauthier.

Os ingressos podem ser adquiridos no local e custam R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes e demais casos previstos em lei).

Confiram as Afrôs em Entre o chão e a encantaria (Cris Campos, Camila Pinto Boullosa, Jânia Lindoso e Fernanda Pretah):

Sebo no Chão, som na caixa!

Acervo Sebo no Chão. Divulgação
Acervo Sebo no Chão. Divulgação

Estive uns poucos domingos no Movimento Sebo no Chão, capitaneado pelo estudante Diego Pires, que fim de semana após fim de semana, tem ocupado a praça defronte à Igreja Católica do Cohatrac.

Louvo a iniciativa principalmente por duas características suas: a gratuidade e a descentralização, já que quase tudo em São Luís acontece na região central da capital.

Mais que moda passageira, como tanto vemos por aqui, o Sebo no Chão caracterizou-se como um importante espaço de vivência cultural. O nome do evento remonta ao início, quando simplesmente Diego começou a vender livros na calçada, ao que depois agregou shows musicais, teatro, cinema, gastronomia, brechó, literatura etc.

Muitos artistas já passaram pelo espaço, que agora quer melhorar a estrutura que oferece ao público presente, parte dele já cativo, outra formada de frequentadores ocasionais – caso deste blogueiro.

O Sebo no Chão está com uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse, visando adquirir o equipamento de som necessário para a realização dos shows. Mais detalhes no link.

Há algum tempo, no Vias de Fato, o perro borracho Igor de Sousa, publicou um texto sobre o acontecimento dominical. Continue Lendo “Sebo no Chão, som na caixa!”

Arriba, arriba, arriba!

Leia ligeiro o título acima. Como se arriba tivesse apenas um r. Como se fosse o Ligeirinho falando. Lembram do Ligeirinho, aquele simpático camundongo mexicano do desenho animado? Pois é.

Adentrei umas poucas vezes o Miguelitos, o charmoso barzinho do Miguel, um conhecido dos tempos de faculdade, onde aprendi na prática o que eram tacos, burritos e michelada, uma deliciosa cerveja servida com gelo e sal.

O bar é pequeno, o que já me obrigou a ocupar sua calçada (o que não acho ruim) ou a ir embora, voltar outro dia, que enfrentar fila por uma mesa é coisa de quem quer aparecer em coluna social.

A decoração é uma atração a parte, com temas lembrando o adversário brasileiro de amanhã na Copa das Confederações. De certo modo, é possível até mesmo imaginar-se num pequeno saloon em uma aventura do Tex Willer, vício que reeditei depois do esgotado Breganejo Blues, do Bruno Azevêdo, ele, aliás, o mesmo cara que me viciou na música do Marcos Magah, mais precisamente no Z de vingança, seu disco de estreia.

Reza a lenda que música ao vivo é o que há de pior em restaurantes do México. O que me faz lembrar de um filme em que Adam Sandler é perseguido por um grupo de músicos mexicanos em plena lua de mel. Se é verdade ou não, não sei. Mas sei que Magah não faz música mexicana: faz punk rock bregadélico. Que você pode conferir ao vivo quinta agora (20), às 21h, no Miguelitos.

O Dondon do Araçagy

Chegamos ao local meio que por acaso, como quase sempre quando resolvemos descobrir lugares novos. É na doida, mesmo. “Vamos comer num lugar diferente”, decidimos, sem nunca ter lido nada a respeito ou sequer ouvido a indicação de qualquer amigo ou conhecido.

Assim rodamos um pedaço da Raposa até baixar no Bar e Restaurante O Dondon. Cantarolei o refrão “no tempo que Dondon jogava no Andaraí”, pagode que pesco numa k7 imaginária, com “clássicos do pagode” escrito a mão na lombada, tudo na minha cabeça. Troco o Andaraí da letra original por Araçagy.

O Dondon, o bar e restaurante, é uma espécie de megaquintal onde, em dias como ontem, é possível estacionar o carro na sombra das muitas palmeiras que ornam o local – a cada touceira, samambaias aos pés. Um brejo ao fundo termina de completar o frescor do lugar, garantindo uma temperatura agradável em meio ao calorão ilhéu. Acima dele se ergue uma espécie de flutuante, embora a estrutura seja fixa, com um tablado de madeira.

Sentamos sob uma das muitas barracas e pedimos uma cerveja enquanto a garçonete nos apresentava o cardápio, de preços muito bons. Por exemplo, uma peixada por 35 reais ou 40, no caso, acrescida de camarões. Ficamos na pescada frita, cuja satisfatória porção nos saiu pela bagatela de 25 reais, acompanhada de baião de dois, farofa e vinagrete. A porção de pirão, por fora, sai por menos que a cerveja, esta a cinco, aquela a apenas três reais.

Um senhor magro e de bigode aparece e comento que “aquele deve ser o Dondon”, ao que minha mulher retruca que “não tem cara”. Era ele. Atencioso – deve ser o tipo de dono de bar que conhece os fregueses pelo nome –, foi cumprimentar o casal que nunca havia visto. Conversamos um pouco. Elogiei-lhe o ambiente superagradável, perguntei se ele morava ali mesmo. “Sim, ali na frente”, respondeu, apontando uma casa ao lado do longo portão por onde entramos e já havíamos visto crianças correndo, brincando.

Dondon diz achar estranho o pouco movimento àquela hora, “aos domingos é sempre mais movimentado”. Eu já havia perguntado à garçonete o horário de funcionamento, “de terça a domingo, segunda é o descanso”, sempre do almoço “até coisa de seis, seis e meia”.

O nome de batismo de Dondon eu descobriria depois, num cartão que ele me deu, ilustrado com pequeníssimas fotografias da paisagem e de algumas iguarias servidas em seu estabelecimento.

De acordo com o cartão, a especialidade da casa é a galinha caipira ao molho pardo, mas é outra iguaria que Adonias Brasil, o Dondon, anuncia, quando perguntei se ele não fazia festas no local. “No último domingo de maio a gente faz o Festival do Peixe Serra”, diz, anunciando as bandas Tropical, Digital e Andréia Alves como atrações da grande seresta. “O ingresso é dez, dez”, diz, repetindo o valor, anunciando os preços pagos por homem e mulher. “Você paga o ingresso e a cerveja: o peixe é de graça, de meio dia à meia noite”, afirma.

Quando voltar por lá, levarei a máquina fotográfica para mostrar aos poucos-mas-fieis leitores deste blogue o espaço e as delícias. A quem não quiser esperar, taí o endereço: o Dondon fica na Rua São Sebastião, 47, Araçagy, Raposa/MA. Dica: vão lá. Sabor e brisa ainda não podem ser fotografados.