As obsessões em Mutarelli

O filho mais velho de Deus e/ou Livro IV. Capa. Reprodução

 

Há pouco mais de 10 anos o projeto Amores Expressos, da RT Features, enviou diversos escritores brasileiros para cidades estrangeiras. Eles passariam um mês em seus destinos, desenvolvendo uma história (de amor), a ser publicada em livro pela Companhia das Letras.

Vários títulos foram publicados. Entre outros, Ithaca Road (2013), de Paulo Scott (que foi a Sidney), O livro de Praga (2011), de Sérgio Sant’Anna, O único final feliz para uma história de amor é um acidente (2010), de João Paulo Cuenca (que foi a Tóquio), Do fundo do poço se vê a lua (2010), de Joca Reiners Terron (que foi ao Cairo), Estive em Lisboa e lembrei de você (2009), de Luiz Ruffato, e Cordilheira (2008), de Daniel Galera (que foi a Buenos Aires).

O 11º. título da coleção acaba de sair: O filho mais velho de Deus e/ou Livro IV [Companhia das Letras, 2018, 328 p.; R$ 38,00; leia um trecho], de Lourenço Mutarelli – que o Amores Expressos levou a Nova York. O quadrinhista que escreve romances e atua em filmes baseados em seus livros apresenta uma obra que confirma algumas de suas obsessões, a começar por sua devoção a Kurt Vonnegut – a quem o livro é dedicado, junto a Antonio Prata – e William S. Burroughs – cujo nome é citado uma única vez, após ter sido um dos motes do anterior O grifo de Abdera [Companhia das Letras, 2015].

O romance é habitado por homônimos de criminosos – sobretudo serial killers – e extraterrestres, com generosas doses de demonologia, que Mutarelli, senhor da ação, vai descortinando aos poucos, fisgando o leitor. O protagonista, um pobre-diabo alcoólatra, muda de nome e vida ao ir morar em Nova York, após ingressar em um programa de proteção a testemunhas controlado por uma estranha seita.

Se por um lado Mutarelli repete uma fórmula que marca sua obra literária – protagonista homem de meia idade de vida comum até um acontecimento extraordinário mudar o curso de sua vida –, os desdobramentos são sempre surpreendentes, fornecendo ao leitor uma espécie de exercício de aprofundamento em determinados temas, obsessões das personagens – e, portanto, do escritor.

Dividido em três partes, ou três livros (a quarta, que dá o título alternativo ao livro, é a soma daquelas), cada capítulo com dois títulos, Mutarelli joga habilmente com informações que poderiam soar excessivas ou desnecessárias nas mãos de alguém menos talentoso, caso, por exemplo, dos verbos usados para dar nome aos barulhos emitidos por diversos animais.

Albert Arthur Jones ou George Henry Lamson passa 10 anos em Nova York, fundindo sua paranoia particular à da cidade após o episódio das torres gêmeas em 11 de setembro de 2001. Sua principal obsessão, no entanto, reside num passado – e numa vida – da qual teima e não se libertar.

Encruzilhadas poéticas

Outras canções de desvio. Capa. Reprodução
Outras canções de desvio. Capa. Reprodução

 

Outras canções de desvio [Sete Sóis, 2016] é trabalho de meticulosa ourivesaria. O disco, assinado pelo poeta Flávvio Alves, reúne poemas seus musicados por Kleber Albuquerque (Cerol, Orquídea cósmica, Teus olhos meus, Contraveneno e Desvio), Du Gomide (Quase lá), Carlos Careqa (Às traças), Richard Serraria (Mantra), Gabriel Schwartz (Novo amor antigo), Assis Medeiros (Em vão) e Fred Martins (Dois). Em uma faixa-bônus Kléber Albuquerque canta trecho de poema de Fernando Pessoa: “dorme, que a vida é nada!/ Dorme, que tudo é vão!/ Se alguém achou a estrada,/ achou-a em confusão,/ com a alma enganada”.

Nas 12 faixas a fina flor do que se convencionou chamar de nova MPB. Além dos compositores citados, cantores e instrumentistas surgidos no cenário nacional a partir de meados da década de 1990. Daniel Groove (Cerol), Kléber Albuquerque (Quase lá, Teus olhos meus, Mantra, Novo amor antigo e o trecho do poema de Pessoa), Carlos Careqa (Às traças), Fred Martins (Dois), Renato Braz (Orquídea cósmica, em dueto com Fred Martins), Aline Nascimento (Contraveneno, em dueto com Kléber Albuquerque), Ceumar (Desvio) e Elaine Guimarães (Em vão) emprestam sua voz aos poemas de Flávvio Alves, acompanhados por Rovilson Pascoal (contrabaixo, cavaquinho, guitarra, violão, ukulelê, teclado, violão 12 cordas, teremim e loops rítmicos), Gustavo Souza (percussão), Luque Barros (violão sete cordas), André Bedurê (contrabaixo em Contraveneno), Simone Sou (percussão em Desvio), Luiz Gayotto (percussão e percussão vocal em Novo amor antigo) e Estevan Sinkovitz (guitarra em Dois).

Desde aquela época, esta constelação tem sido responsável pelo lançamento de discos primorosos, parte deles pelo selo Sete Sóis, cujo principal nome por trás é justamente Flávvio Alves, que, ao agradecer a Kleber Albuquerque, em texto no encarte, afirma: “sem ele este trabalho não existiria, seria um dos tantos arquivados em minha gaveta”. A julgar pela beleza deste, não hesitamos em afirmar: é preciso desengavetar. Nome que mais aparece no encarte de Outras canções de desvio, o cantor e compositor assina também seu projeto gráfico, à altura da beleza do conteúdo – também pelo Sete Sóis, Kléber Albuquerque acaba de lançar um disco dividido com o cantor Rubi, intitulado justamente Contraveneno [2017], produzido por Flávvio Alves, cujo show passou pela Ilha ano passado.

Aos que julgam discos – e livros – pela capa, não se enganarão os que se arriscarem por ela, que aí começa a beleza deste disco: a ilustração de um violeiro numa encruzilhada – um dos possíveis desvios do caminho – é do escritor e desenhista Lourenço Mutarelli. A ele e sua esposa Lucimar, Flávvio Alves dedica Dois: “tudo tem sua vez/ mas toda vez/ vem depois de nós dois”, “posso ouvir teu olhar/ posso ver tua voz” e“tudo tem um talvez/ mas com você/ tudo é certo demais”, diz a letra.

Basicamente são canções de amor, mas nada há de piegas em Outras canções de desvio, disco que levanta o astral e o polegar positivamente e com rara categoria para responder à questão batida: letra de música é poesia? “De toda farsa imensa sempre em cada dia/ Nada ultrapassa a força bruta da poesia/ Em meio à massa a moça fica mais bonita/ é frágil a louça, ágil a fantasia”, diz a letra de Às traças.

Outro exemplo?: “era tanta magia/ no olhar da poesia/ raspas de luar/ mel de melodia”, em Teus olhos meus. Mais um?: “que haja sempre uma rede no alpendre da ilusão/ um novo verso no ventre universo/ e um maço de canção/ um novo verso no ventre universo/ pra tanto tropeço e decepção”, em Mantra. Deleitem-se e tirem suas próprias conclusões.

Personagem de si mesmo, Mutarelli volta aos quadrinhos em novo romance

Quadrinista tornado escritor, Lourenço Mutarelli entrou para a história: foi o primeiro escritor brasileiro a protagonizar a adaptação de um livro seu para o cinema, O natimorto [DBA, 2004; Companhia das Letras, 2009], após uma ponta em O cheiro do ralo, também adaptação de um sucesso literário seu.

O Grifo de Abdera. Capa. Reprodução
O Grifo de Abdera. Capa. Reprodução

Em O Grifo de Abdera [Companhia das Letras, 2015, 264 p.; leia um trecho], Mutarelli realiza um interessante exercício literário ao brincar com várias faces de si mesmo. É um jogo de trocadilhos, desde a composição dos nomes dos personagens, anagramas que ganham vidas e histórias, de dar à vida aspectos de ficção, e de revelar segredos por trás dos bastidores do ofício de escritor – ou do quadrinista, muito mais trabalhoso e menos reconhecido, embora ambos, de algum modo, glamurizados.

Mutarelli tira onda até mesmo com sua fórmula de escrever romances: os protagonistas são sempre homens mais ou menos em sua faixa etária, levando vidas mais ou menos comuns, até um acontecimento surpreendente e uma guinada, confessa.

Suas obras, entre as realmente lançadas e fictícias, estão lá citadas. Amigos escritores, de verdade e inventados, tornam-se personagens: Paulo Lins, Marcelino Freire, Marçal Aquino, Ferréz, além de Raimundo Maria Silva, Oliver Mulato e Mauro Tule Cornelli, que “assinam” O Grifo de Abdera com Mutarelli, este último seu anagrama. Um deles é quem figura nas fotos de orelha e viagens do autor a eventos literários, dentro e fora do Brasil.

O livro é a história de um duplo, fabricado a partir da chegada, às mãos de um dos protagonistas, da moeda que dá título à obra. As obsessões continuam perseguindo o autor, entre citações – entre outros, William S. Burroughs e Kurt Vonnegut, que já tiveram os nomes inscritos noutras obras de Mutarelli –, diálogos ligeiros e certeiros, exigindo e prendendo a atenção do leitor, a vasta pesquisa – um personagem acometido de síndrome de Tourette repete frases grosseiras e, portanto, inoportunas em espanhol digitadas pelo duplo no tradutor do Google – e o entrecruzar de diversos enredos paralelos, a vidinha nada besta de professores, escritores e biscateiros.

É recorrente também a ideia de Mutarelli, personagem, retomar os quadrinhos. Dividido em três partes – O livro do fantasma, O livro do duplo e O livro do livroO Grifo de Abdera é um presente aos fãs que o acompanham desde Transubstanciação [1991] e/ou aos recém-chegados. Após cinco anos do último romance – Nada me faltará [2010] – quatro do último álbum – Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente [2011] – e três do volume único que reuniu a trilogia do detetive Diomedes [2012], o múltiplo Mutarelli mescla romance e quadrinhos (as 80 páginas centrais do livro) em uma obra que, além de agradar a leitores antigos e mais novos, certamente aumentará seu fã-clube. A pergunta, talvez óbvia, que não lhes calará é: quando O Grifo de Abdera será adaptado ao cinema?

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Sonhei que voltava às estradas, mas desta vez não tinha 15 anos e sim mais de 40. Só tinha um livro, que levava em minha pequena mochila. De repente, enquanto ia caminhando, o livro começa a arder. Amanhecia e quase não passavam carros. Enquanto jogava a mochila chamuscada em um canal, senti que minhas costas coçavam como se tivesse asas.

&

Um sonho-poema-em-prosa de Roberto Bolaño (foto) traduzido por Ronaldo Bressane no Pernambuco deste mês. O suplemento traz ainda uma entrevista com Lourenço Mutarelli, entre outras coisas bacanas.

Elza na tela do Maranhão na Tela

Elton Medeiros conta que João da Baiana foi preso diversas vezes pelo simples motivo de andar nas ruas com um pandeiro na mão. No início do século XX isso era sinônimo de vadiagem. Até que um dia, um senador seu amigo deu-lhe um pandeiro e escreveu uma dedicatória no couro, indicando quem tinha sido o autor do mimo. O pandeiro passou a, além de instrumento, servir de documento a João da Baiana.

Elza Soares revela que um dia sonhou ser prostituta. Na inocência de criança ou adolescente, ouvira a mãe de uma conhecida acusá-la de e ouvir um “sou. Sou prostituta, sim. Sou linda, gostosa, maravilhosa”. Para a futura cantora, ser prostituta era isso. “Era tudo o que eu queria ser. Eu achava que tinha encontrado minha profissão”, conta, divertindo-se e a todos nós.

Estes são dois depoimentos marcantes em Elza [documentário, 2008, Brasil, 82min., direção: Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan], que conta ainda com nomes como Caetano Veloso, Maria Bethania, Jorge Benjor, o violonista João de Aquino, o antropólogo Hermano Vianna, Mart’nália, Paulinho da Viola, José Miguel Wisnik e outros.

Bela homenagem a uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, o filme poderia ser menor, sem prejuízo ao conteúdo. O encontro com Maria Bethania, em que elas desfilam sambas de roda acompanhadas de um pandeiro, é longo e cansativo, com uma troca de elogios quiçá desnecessária. Noutro momento, Jorge Benjor canta Jorge de Capadócia sozinho, com Elza Soares entrando apenas ao final.

O filme foi exibido ontem, dentro da programação do Maranhão na Tela, no estacionamento da Praia Grande. A exibição foi prejudicada pela iluminação normal do lugar, o burburinho dos passantes, um dos pagodes que infestam o lugar irrompendo antes do fim do filme, a falta de cadeiras e o início antecipado da sessão – quando cheguei, pouco antes das 19h30min, horário anunciado nos folders com a programação, o filme já havia começado. Vi todo o resto em pé.

Penso que a produção poderia potencializar o uso das duas salas onde também está acontecendo o Maranhão na Tela: o Cine Praia Grande, que tem uma programação mais cheia, e o Teatro Alcione Nazaré, que não mais terá sessões a partir de segunda-feira – o festival acontece até sexta (16).

Hoje tem Natimorto [drama, 2009, Brasil, 92min., direção: Paulo Machline], baseado no livro de Lourenço Mutarelli, com o próprio de protagonista.

Malditos cartunistas, benditos Daniéis

Era de se esperar que boa parte da plateia (pequena) passasse quase todo o filme gargalhando. Malditos cartunistas [documentário, Brasil, 2010, 93min., direção: Daniel Garcia e Daniel Paiva], exibido anteontem (7) no Teatro Alcione Nazaré (Maranhão na Tela), conta com depoimentos importantes de cartunistas, chargistas, quadrinhistas, desenhistas, tiristas – “existe isso?”, um deles se pergunta –, ou tudo isso ao mesmo tempo. Ou, antes de tudo isso, simplesmente humoristas.

De Jaguar e Ziraldo (O Pasquim) a Ota (Mad), passando por Angeli (Chiclete com Banana), Adão Iturrusgarai (Aline), Allan Sieber (Vida de estagiário), Glauco (Abobrinhas da Brasilônia) em sua última entrevista (foi assassinado em março do ano passado junto ao filho Raoni; a eles o filme é dedicado), Laerte (Piratas do Tietê), André Dahmer (Malvados), Lourenço Mutarelli (creditado como o desenhista que abandonou os quadrinhos para se dedicar à literatura), Chiquinha (única mulher do grupo) e Maurício de Souza (Turma da Mônica), entre outros.

O pai de Cascão, Cebolinha e Magali, aliás, destoa dos demais da turma, por ter sido o primeiro a assumir um padrão industrial de produção: muitas das histórias de Maurício de Souza – para não dizer quase todas – hoje são criadas por profissionais contratados por seu estúdio, que há muito já nem se dedica mais exclusivamente aos gibis. Mas disso já sabíamos, antes mesmo de assistir o documentário. O que não tira o brilho do filme. Nem a importância do desenhista.

A maldição dos cartunistas sugerida pelo título é relativa: com Chiclete com Banana Angeli chegou a vender quase 200 mil exemplares da revista em bancas nos anos 1980 e hoje publica tiras na Folha de S. Paulo, como outros noutros jornais; Ziraldo é apresentador de tevê e teve diversos personagens seus levados à telinha (O menino maluquinho, Pererê), Reinaldo era Ótima Bernardes (entre outros personagens) no global Casseta & Planeta Urgente!, vários deles têm sistematicamente sido (re-)publicados em edições de bolso pela L&PM e vários etc.

Os depoimentos de Malditos cartunistas são hilários, constantes a auto-tiração de sarro, a auto-ironia, o rir da própria desgraça (antes de desenhar a própria e/ou a alheia). Os olhares sempre bem humorados acerca de diversas temáticas: a profissão em si, cultura, humor, política, poder, dinheiro, sexo, machismo, censura (engana-se quem pensa que acabou com o fim da ditadura)…

Mutarelli é o mais engraçado, mesmo que não quisesse. Confessa chutar “manicure” quando indagado sobre sua profissão ao preencher fichas em hotéis; e diz que convidado para um evento como cartunista “me pagaram 300 paus; pouco depois, fui como escritor, recebi um pau e 600”; o mais careta, sem graça e, por que não?, sério é Maurício de Souza, em uma imponente “mesa de chefe” – antes, a câmera passeia por seus estúdios, com uma funcionária explicando o passo-a-passo da feitura da Turma da Mônica até os gibis chegarem às mãos de seus filhos. Sobre os cenários, aliás, vale destacar: prestem bem atenção neles e nos trajes de nossas personalidades. Estantes, pilhas de livros, mesas e pranchetas de trabalho, computadores, lixo e camisas com motivos animados nos ajudam a entender um pouco melhor o universo dessas figuras.

São vários “humoristas” falando sobre as mesmas coisas, depoimentos em sequência, um aceso na bagana do outro, mas não acerta quem pensa em cansaço, enfado ou sono durante a sessão – isso seria como acreditar que “quadrinhos são coisa de criança”.  O doc mostra (explicitamente) que não.

Se nem os próprios cartunistas se levam tão a sério, imagine a sociedade em geral: quadrinhos ou são “coisa de criança” ou são apenas para serem vistos e lidos, uma risada rápida e acabou. Ledo engano. Muitas vezes um cartoon, uma charge, uma tira, nos fazem compreender melhor determinada situação, apesar de uma página ou mais, com matéria(s) sobre o assunto, no mesmo jornal. É a tradução risonha do “uma imagem vale mais que mil palavras” – se vier com legenda ou balões, então…

Levando a sério quem ri e tira sarro de si mesmo o tempo todo durante as entrevistas, Malditos cartunistas joga luz em personalidades importantes, quase sempre marginalizadas, em geral rotuladas de produtores de “sub-cultura” ou coisa que o valha. A estrutura do filme em si é simples: depoimentos, depoimentos e mais depoimentos, no melhor esquema “faça você mesmo”. Certamente muito material ficou de fora e as figuraças que desfilam pela tela bem poderiam falar mais e mais e mais. O filme não angariou recursos públicos – é dos raros em que não vemos as logomarcas de sempre no início da projeção – e deve ter saído barato. Entre aspas: seus realizadores também desenham e, fãs do elenco, o que deve ter facilitado um pouco as coisas, pagaram tudo do próprio bolso, às próprias custas s. a., mestre Itamar.

O doc resgata até mesmo um fato ocorrido em Porto Alegre, quando a prefeitura financiou uma revista de funcionários da municipalidade. Anos depois a cena é engraçada, um apresentador de tevê rotulando os editores de pornógrafos, defendendo a moral e os bons costumes, os “réus” nervosos, defendendo seu ponto de vista. Adão respondeu a processo durante anos pelo episódio. E a Prefeitura Municipal da capital gaúcha desde então não mais financiou a produção/publicação de quadrinhos.

Ainda durante a sessão impossível não lembrar de filmes, digamos, correlatos: Wood & Stock e Dossiê Rê Bordosa, baseados em personagens de Angeli. Bom seria um doc para cada um dos malditos entrevistados. Oxalá!

Deixo os poucos-mas-fieis leitores com o trailer do documentário.

A quem interessar possa, haverá outra sessão de Malditos cartunistas no Maranhão na Tela (programação completa aqui; chegar com meia hora de antecedência para retirada de ingressos, gratuitos, na bilheteria): dia 15 (quinta-feira), às 21h, no Cine Praia Grande.