Live solidária celebra Dia Nacional dos Bancários em São Luís

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Com transmissão pelo youtube e TV Guará, a data comemorativa terá apresentações do Quarteto Crivador, Chico Chinês e Serrinha do Maranhão (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber

Entre o final de 2018 e início de 2019 o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Maranhão (Seeb/MA), popularmente conhecido como Sindicato dos Bancários, aprofundou a incorporação da dimensão cultural às lutas travadas cotidianamente pela categoria. Nascia assim, à época, o projeto RicoChoroComVida Pra Luta, que levou ao palco de sua sede social (Av. Gal. Arthur Carvalho, 3.000, Turu), diversos nomes da música instrumental e da música popular produzida no Maranhão, que por motivos de força maior, estacionou em apenas uma temporada.

Revivendo aquele momento, importante para a categoria, para a classe artística e para a sociedade em geral, é nesse clima que será comemorado o Dia Nacional dos Bancários no Maranhão. O estúdio da TV Guará (canal 23 na tevê aberta) receberá, no próximo dia 29 de agosto (sábado), às 20h, um sarau musical em formato de live, como recomendam o bom senso e os cuidados com a saúde e segurança de todos em tempos de pandemia – cantores, instrumentistas, profissionais envolvidos, a categoria homenageada e o público em geral.

O sarau musical seguirá o modelo estabelecido pelos projetos RicoChoroComVida na Praça e Pra Luta, com uma formação instrumental abrindo a noite e depois acompanhando importantes nomes de nossa música popular. A transmissão será ao vivo – a partir do estúdio da TV Guará, sem a presença de público – pelo canal do sindicato no youtube e pela TV Guará, simultaneamente e com tradução em Libras, garantindo a acessibilidade cultural. A produção é de RicoChoro Produções Culturais. A live terá apresentação de Ricarte Almeida Santos.

O anfitrião da noite festiva será o Quarteto Crivador, formado por Rui Mário (sanfona), Marquinho Carcará (percuteria), Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas) e Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho). O grupo ganha o reforço dos percussionistas Marcos Paulo e Vinicius Filho, para abrilhantar ainda mais a festa.

Os convidados do Crivador serão os cantores Serrinha e Chico Chinês (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber (foto), numa noite que promete, no cardápio musical, o melhor do choro, do samba e da música popular brasileira.

O Quarteto Crivador. Foto: divulgação
O Quarteto Crivador. Foto: divulgação

Atrações – Crivador é o nome de um dos três tambores da parelha do tambor de crioula. O nome foi escolhido pela característica do grupo, de mesclar o choro e outras vertentes da música instrumental brasileira a ritmos da cultura popular do Maranhão. Originalmente o quarteto tem o bandolinista Wendell de la Salles em sua formação.

O cantor Tom Cleber. Foto: divulgação
O cantor Tom Cleber. Foto: divulgação

Tom Cléber – Nascido em São João dos Patos, no interior do Maranhão, o ídolo romântico Tom Cléber está acostumado a grandes plateias, vendagens consideráveis de discos e hits de rádio, no Maranhão e fora dele, entre releituras de clássicos populares e composições autorais.

O cantor Serrinha do Maranhão. Foto: divulgação
O cantor Serrinha do Maranhão. Foto: divulgação

Serrinha – Serrinha do Maranhão fez fama na década de 1990, a partir da Madre Deus, à frente do grupo Serrinha e Companhia, muito requisitado nas rodas de samba e pagode da ilha. Gravou o disco “Na palma da mão”, contando com a participação especial do sambista Jorge Aragão, autor de “Uns e alguns”, faixa de abertura do disco, cujo refrão acabou intitulando o trabalho, que conta com as participações especiais do Regional Tira-Teima e Zeca do Cavaco, que empresta sua voz ao clássico “Das cinzas à paixão”, de Cesar Teixeira.

O cantor e percussionista Chico Chinês. Foto: divulgação
O cantor e percussionista Chico Chinês. Foto: divulgação

Chico Chinês – Os olhos puxados deram a ele o apelido de Chinês, com que ficou conhecido nas rodas de samba da capital maranhense, principalmente como integrante do grupo Espinha de Bacalhau. O percussionista é pai do bandolinista e cavaquinhista Robertinho Chinês.

Festa solidária – “Sem dúvida, será um show de atrações e de solidariedade. Em razão da pandemia, pela primeira vez a festa será online, mas a animação e qualidade de sempre estarão presentes, ainda mais com esse objetivo de ajudar o próximo e preservar vidas. Bancários, bancárias e a sociedade em geral, prestigiem!”, convidou o Presidente do Seeb/MA Eloy Natan. A live tem caráter solidário e a arrecadação será destinada ao Instituto Antonio Brunno, de apoio a pacientes com câncer. Haverá sorteio de brindes para bancários em dia com suas obrigações sindicais.

Dia dos Bancários – O Dia Nacional dos Bancários é celebrado em 28 de agosto desde 1951. A data foi escolhida após uma grande assembleia da categoria, que reivindicava aumento salarial após 69 dias de paralisação – uma das mais longas e vitoriosas da história.

Serviço

O quê: live/sarau musical em comemoração ao Dia Nacional dos Bancários
Quem: Quarteto Crivador, Chico Chinês e Serrinha do Maranhão (do Samba de Iaiá) e Tom Cléber
Quando: dia 29 de agosto (sábado), às 20h
Onde: transmissão pelo canal do Seeb/MA no youtube e pela TV Guará (canal 23 da tevê aberta)
Quanto: evento gratuito e online. As doações arrecadadas serão destinadas ao Instituto Antonio Brunno.

Violões no Convento

Orquestra de Violões Uema-Emem. Fotos: Zeqroz Neto
Orquestra de Violões Uema-Emem. Fotos: Zeqroz Neto

 

O Festival Internacional de Violão de São Luís já nasce grande. Espero que não usar o ordinal primeiro antes do nome do evento não signifique estancar em edição única.

Após três dias de masterclasses realizados com grandes nomes – Turíbio Santos, Gian Correa, Rogério Caetano e Alessandro Penezzi – na Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Emem), teve início ontem (24), a programação de concertos do evento, no Convento das Mercês, onde todos os masters das classes se apresentam.

Eu mesmo, particularmente, me preocupei com o anúncio da programação: por mais que a produção chame de shows, na intenção de popularizar os espetáculos, gratuitos e abertos ao público, três concertos de violões, em sequência, poderiam parecer algo um tanto cansativo. Estava enganado, ainda bem.

Um bom público, educado, atento, interessado no que viu, lotou o pátio central do Convento das Mercês, onde a noite foi aberta pela Orquestra de Violões Uema-Emem, regida pelo maestro Roberto Fróes, tendo por destaques no repertório o Concerto em ré maior de Vivaldi, o arranjo de João Pedro Borges para Boi da lua, de Cesar Teixeira, e A máquina de escrever, de Leo Wilczek, com o pianista Bruno Cipriano solando uma… máquina de escrever.

O Quarteto Setão
O Quarteto Setão

Depois foi a vez Quarteto Setão, formado especialmente para o Festival. Trata-se, como o nome indica, do encontro de quatro dos mais promissores violões sete cordas do Maranhão: Tiago Fernandes, Mano Lopes, João Eudes e Luiz Jr. Maranhão. Entre clássicos do choro, os destaques do repertório foram composições de maranhenses: De Cajari pra capital (Josias Sobrinho), Flor do mal, (Cesar Teixeira) e Todos cantam sua terra (João do Vale).

Os violonistas João Pedro Borges e Joaquim Santos foram homenageados. Repito o que disse em diversas ocasiões, a diversos interlocutores: sem desmerecer ou apequenar nenhum outro convidado, bastaria esta dupla, mais Turíbio Santos (também homenageado, além de José Luiz Santos, pai de Luiz Jr. Maranhão), para garantir ao festival o status de internacional.

O violonista Turíbio Santos
O violonista Turíbio Santos

E era Turíbio Santos, maranhense como os ex-integrantes da Camerata Carioca, a próxima atração, o último convidado da noite. Não escondeu a emoção de voltar à terra natal para um concerto e atacou de Sons de carrilhões (João Pernambuco), seguida por um medley de Luiz Gonzaga (Asa branca, Juazeiro, Baião).

Ao pedir para desligar a máquina de gelo seco, deu sua alfinetada nos poderosos de plantão: “vou pedir a produção para desligar essa fumaça; não é aquela queimada lá, mas é ruim, por que o violão vai ficando úmido e respondendo diferente”, provocou, antes de apresentar sua suíte Teatro do Maranhão, que fez em homenagem ao Teatro Arthur Azevedo – onde iniciou, há mais de 50 anos, sua internacionalmente reconhecida carreira de concertista.

Homenageou Chiquinha Gonzaga (Gaúcho, Ó abre alas), Carlos Gomes (diversos temas recolhidos em comunidades quilombolas) e, obviamente, Heitor Villa-Lobos (Prelúdio nº. 3, Prelúdio nº. 2 e Choros nº. 1, com que encerrou sua apresentação), que chegou a conhecer pessoalmente e cuja obra divulga em discos desde a década de 1960. Foi aplaudido de pé. “Eu não vou fazer o bis por que estou com a mão cansada”, desculpou-se, sem que a plateia interrompesse os aplausos.

A programação, gratuita e aberta ao público, continua hoje (25) e amanhã (26), a partir das 19h, no Convento das Mercês.