Uma de cinco

O cantor e compositor Bruno Batista disponibilizou hoje o primeiro webclipe de uma série de cinco canções que em alguns meses irão compor um EP do artista. Para um amor em Paris, de sua autoria, é a única regravação da série – a música foi lançada originalmente em Eu não sei sofrer em inglês (2011).

Para a regravação, Bruno Batista contou com a participação especial de Rita Benneditto (voz). Acústico e em clima intimista, o dueto foi acompanhado por Guilherme Kastrup (percussão) e Mário Manga (violoncelo, violão e produção musical), marcando também um reencontro: em 1997, ao lado dela e Zeca Baleiro, o ex-Premeditando o Breque foi um dos produtores do disco de estreia da maranhense, quando ela ainda assinava Rita Ribeiro.

A música é recheada de referências: o título evoca o Paulinho da Viola de Para um amor no Recife, remete, pelo uso bem colocado de expressões estrangeiras, a músicas como Samba do approach e Babylon, ambas de Zeca Baleiro, Tem francesa no morro (Assis Valente) e Cabrochinha (Paulo César Pinheiro e Maurício Carrilho), além de citar textualmente o Alceu Valença de La belle de jour (que por sua vez citava o Luis Buñuel de A bela da tarde, no título da película em português). Entre as citações, comparecem ainda o Bernardo Bertolucci de O último tango em Paris e o Jacques Brel de Ne me quitte pas. A direção do webclipe é de Alessandra Fratus.

Uma por mês, Bruno Batista disponibilizará ainda Quedê, com participação especial de Lívia Mattos, Fire Babylon (parceria dele com Alê Muniz e Luciana Simões), com o duo Criolina, Duvido (parceria com Celso Viáfora), com Celso Viáfora e Fabiana Cozza. A quinta música, também inédita, está ainda por definir, segundo o artista.

Previsto para setembro, o EP será lançado apenas em formato digital. A série de webclipes tem patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.

O horizonte musical comum de Kleber Albuquerque e Rubi

Contraveneno. Capa. Reprodução
Contraveneno. Capa. Reprodução

 

Os caminhos musicais de Kleber Albuquerque e Rubi começaram a se cruzar há 20 anos, quando o segundo ouviu o primeiro disco do primeiro e foi procurar o lendário Mário Manga (ex-Premeditando o Breque) para produzir também seu disco de estreia.

Suas estradas continuaram se cruzando ao longo da carreira, com um participando de discos do outro (Kleber é um dos principais compositores do repertório de Rubi), além da participação comum em trabalhos de artistas como Zé Modesto.

No fim do ano passado estrearam o show Contraveneno, batizado por parceria de Kleber com Flávvio Alves, poeta-produtor à frente da Sete Sóis, que lança os discos da dupla, e com que passaram por São Luís em outubro passado. O show virou disco. Era o horizonte comum que faltava em suas trilhas.

O clima intimista e delicado do show foi transposto para o registro, gravado ao vivo no estúdio Parede Meia. Rubi (voz e violão requinto) e Kleber Albuquerque (voz e violão), que assina o projeto gráfico do disco, são acompanhados por Mário Manga (violoncelo) e Rovilson Pascoal (guitarra e violão).

Kleber Albuquerque é um dos mais sensíveis e talentosos compositores de sua geração e Rubi está entre os melhores cantores do Brasil, quando se conjugam suas qualidades vocais e a seleção de repertório.

Poderiam ter optado por fazer um disco com o melhor destes 20 anos, mas talvez isso soasse óbvio demais. Entre as músicas de seus repertórios a mais conhecida é Ai (Kleber Albuquerque/ Tata Fernandes), já gravada por ambos: “Deu meu coração de ficar dolorido/ arrasado num profundo pranto/ deu meu coração de falar esperanto/ na esperança de ser compreendido”, diz a letra.

Procura no Google e Geração (ambas de Kleber Albuquerque) completam a parte mais conhecida do repertório, ao lado do choro Cerol e da faixa-título, gravadas no disco Outras canções de desvio, de Flávvio Alves, parceiro de Kleber Albuquerque em ambas.

O gosto pela chamada música caipira é outra praia comum da dupla, evidenciada pelos registros plangentes de Castelo de amor (Nenzico/ Creone/ Barrerito), do Trio Parada Dura, que abre o disco, e Eta nóis (Luli/ Lucina).

Kleber e Rubi mostram que suas antenas captam ainda sinais tão distantes quanto os do pernambucano Juliano Holanda (de quem gravam Sem tempo) e a argentina Maria Elena Walsh (Como la cigarra).

A quem não conhece o trabalho de Kleber Albuquerque e Rubi, Contraveneno é ótima porta de entrada. A quem já conhece, há provas de que a safra de inéditas mantém o nível que pavimentou suas estradas – comuns: a caymmiana Milonga da noite preta e o hilariante reggae Papai Noel tomou gardenal (ambas de Kleber Albuquerque), que conta as aventuras de um bom velhinho que se cansa dos sininhos de natal e se aventura por outros ritmos na Jamaica e no Brasil.

Do repertório do Premeditando o Breque, Lava rápido (Wandi Doratiotto) fecha Contraveneno. Uma homenagem aos vanguardistas-paulistas, competentemente representados no disco por Mário Manga. Muito justa: afinal de contas, foi com ele que tudo começou.