O rádio, Parafuso e eu

Começo de setembro passado, a trabalho em Brasília/DF, meu celular toca. Era Valéria Santos, produtora da Rádio Universidade FM. Disse-me rapidamente que estavam produzindo um Janela Cultural em homenagem ao mestre José de Ribamar Elvas Ribeiro, mais conhecido como Parafuso. De cara topei dar um depoimento e ela gravou na hora, pelo telefone. Ela tornaria a ligar, já que as operadoras de telefonia não ajudam e a ligação caiu.

No dia em que o programa foi ao ar, eu estava novamente viajando. Hoje, com o amigo Alberto Jr., fui ao Santo de Casa, na mesma Universidade FM, falar com Gisa Franco no quadro Roda de Conversa sobre a relação entre a blogosfera e a difusão da música do Maranhão. O papo rolou agradabilíssimo. Reencontrei amigos e amigas e conheci Valéria pessoalmente. Ela me avisou que o programa dedicado a Parafuso estava disponível, na íntegra, no youtube.

Lembro que o lendário sonoplasta havia lançado recentemente, em concorrida noite de autógrafos no Bar do Léo, o livro Memórias de um Parafuso, de título autoexplicativo.

A quem interessar possa, aí está o programa:

Parafuso reúne memórias em livro

Não poucas vezes adentrei o Bar do Léo e dei de cara com sua figura muito animada, um copo de uísque sobre a mesa, às vezes uma garrafa inteira. Sempre nos cumprimentamos com um abraço efusivo e não era raro ele depois estacionar em minha mesa, entre suas idas e vindas ao banheiro, para continuar uma história iniciada ou explicar melhor algum detalhe. E histórias não lhe faltam.

José de Ribamar Elvas Ribeiro, popularmente conhecido como Parafuso, é uma lenda viva do radialismo maranhense, sua memória viva, não exagera quem o diz.

Sonoplasta, parte delas entregou em entrevista ao hoje presidente da Fundação Municipal de Cultura Francisco Gonçalves e o time de comunicadores que coordenou em pesquisa sobre a versão maranhense da fantástica guerra dos mundos, livremente inspirada em H. G. Wells.

As lembranças de Parafuso sobre este importante, controverso, lendário, curioso e, por que não?, hilário capítulo da radiofonia maranhense estão em Outubro de 71 – Memórias fantásticas da Guerra dos Mundos, livro organizado por Gonçalves que reconta a história do dia em que os marcianos invadiram São Luís.

Lembro que, quando escrevi sobre o livro para a revista Overmundo (donde, aliás, meio que cato a abertura deste texto), tentei entrevistar Parafuso por telefone. Foi a primeira vez em que ouvi falar de Memórias de um Parafuso, que à época nem sei se já tinha esse título, o livro que o mestre lança em noite de autógrafos no Bar do Léo, no próximo dia 2 de julho.

Sem perder a elegância nem a paciência, Parafuso advertiu-me que o que tinha para dizer sobre a “guerra dos mundos” estava no livro sobre o qual eu estava escrevendo (e que obviamente já havia lido). E que sobre outros assuntos ele diria num livro que estava escrevendo com suas memórias. “Aliás, o livro está pronto, falta revisão e dinheiro para imprimir”, confessou-me.

Tornei a encontrá-lo outras vezes, mas não a importuná-lo com perguntas do tipo “e o livro?”. Mas a notícia do lançamento de suas memórias me deixa bastante contente. E ansioso.

Entre as histórias de Parafuso certamente está a de seu apelido, conforme me contou certa vez: “eu era irrequieto e um dia na escola o professor [ou era um inspetor?] chegou e me viu sobre a carteira, sapateando. Ele botou o apelido: parafuso. Dizem que quando a gente se zanga é que o apelido pega. Eu nunca me zanguei e pegou, embora carrapeta fosse mais apropriado. Parafuso você bota ele ali, ali ele fica. Carrapeta, não…”

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