Silvério Pontes promete grande roda de choro durante palestra com Zé da Velha

Encontro da dupla com músicos e estudantes acontece hoje (19) na UFMA

Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação
Zé da Velha e Silvério Pontes voltam à São Luís para a edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça. Foto: divulgação

O projeto RicoChoro ComVida na Praça terá sua edição inaugural realizada amanhã (20), às 19h, de graça, na Praça Gonçalves Dias (Largo dos Amores, Centro), tendo como atrações o DJ Franklin, Instrumental Pixinguinha e a dupla carioca Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete), com a participação especial da cantora Flávia Bittencourt.

Mas o projeto começou antes. Além dos preparativos óbvios, desde a aprovação na Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, o que permitiu seu patrocínio pela TVN, viabilizando a realização de nove saraus em praças públicas de São Luís, teve seu lançamento oficial na noite de terça-feira passada (16) na Quitanda do Chef (antigo Restaurante Barulhinho Bom, Rua da Palma, nº. 217, Praia Grande).

E a programação segue, antes da estreia. “Um projeto como esse envolve diferentes vertentes, para além da fruição musical, que é também muito importante. Mas traremos, a cada sarau, professores e estudantes da rede pública para presenciar espetáculos que se preocupam também com a formação de plateia. E aproveitaremos a vinda de nomes do cenário nacional para intercâmbio com músicos e estudantes locais e interessados em geral”, promete Ricarte Almeida Santos, produtor da empreitada.

Ele refere-se, por exemplo, à oficina que Zé da Velha e Silvério Pontes irão ministrar hoje (19), às 15h, no Anfiteatro de Comunicação, na Cidade Universitária Dom Delgado (Bacanga, ao lado da Rádio Universidade FM), gratuita. Originalmente uma palestra com o tema “O trombone e o trompete no choro”, Silvério Pontes promete extrapolar o formato.

“Nesta oficina, vamos abordar o tema de como se pratica a música instrumental, como se vive, como se elabora, vamos lembrar os nossos 30 anos de parceria, eu e Zé da Velha. Levaremos alguns choros escritos, e peço que todos os músicos levem seus instrumentos, pois faremos uma grande roda para exemplificar a maneira que pode ser tocado o choro, didaticamente e com o coração, misturando a música, mostrando como a coisa funciona, elaborando da maneira que nós tocamos e da maneira que as coisas são feitas”, adianta.

Silvério Pontes comentou ainda a importância e o sentimento de participar da edição inaugural de RicoChoro ComVida na Praça, e destacou também a importância de Ricarte Almeida Santos e seu programa dominical na Rádio Universidade FM, o Chorinhos e Chorões, para a articulação da cena choro no Maranhão.

“É uma maravilha poder participar. Ricarte é um guerreiro, um lutador por essa música. Há anos tem um programa de rádio que batalha pela boa música na ilha e é um cara que divulga todos os músicos, sejam novos, de meia idade, ou velhos chorões, ele valoriza igualmente. Ele tem essa preocupação em preservar um gênero que existe há mais de 150 anos, e preservar de uma maneira linda. Todo domingo ele divulga, corre atrás. A gente tem o maior prazer em poder participar desse projeto, que deveria acontecer todo ano, por que são Luís é um celeiro de bons músicos, uma cidade que respira música, não só o choro, mas todos os gêneros, tambor de crioula, bumba meu boi, música de sopro, enfim, é uma cidade rica musicalmente, em compositores, artistas, a cidade respira isso. Pra gente é uma honra abrir esse projeto, que é o RicoChoro ComVida na Praça, ainda mais sendo conduzidos por um cara que tem esse preocupação com essa música”, afirma.

[Zé da Velha e Silvério Pontes já estão em São Luís. Ontem, a caminho do aeroporto, falei ao telefone com o trompetista e escrevi o texto acima, distribuído aos meios de comunicação da ilha]

Marcelo Sandmann em três tempos

1)

Além de meio para a criação, na passagem dos anos 70 para os 80, a música popular se afigura a Leminski como estratégia clara de inserção de sua produção num contexto mais amplo. Em outra  carta a [Régis] Bonvicino, sem data, mas ao que tudo indica do ano de 1979, o escritor comenta recentes encontros com [Gilberto] Gil e Caetano [Veloso], e o desejo deste último de gravar a canção Verdura (efetivamente gravada no LP Outras palavras, de 1981), para grande satisfação do poeta. E conclui: “minha passagem para a MPB está para se completar: operação mass-mídia”. (LEMINSKI e BONVICINO, 1999, p. 156).

De fato, a partir do início dos anos 80, o escritor verá canções suas, só e em parceria, gravadas por nomes de maior ou menor projeção na música popular brasileira, como o já citado Caetano Veloso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Blindagem, A Cor do Som, Itamar Assumpção, Guilherme Arantes, MPB-4, Ângela Maria, entre outros. Nos mesmos anos 80, sua poesia começa a circular de modo mais amplo, agora sob a chancela da Editora Brasiliense, que publica Caprichos e relaxos (1983), Distraídos Venceremos (1987) e o póstumo La vie en close (1991). Assim, por um lado, a maior presença de material seu no rádio, no show e no disco alicerça sua visibilidade como escritor; e, em contrapartida, seu crescente prestígio como poeta, tradutor e crítico chama a atenção para essa sua outra faceta criativa, numa espécie de círculo que se retroalimenta.

[De seu artigo “Na cadeia de sons da vida”: literatura e música popular na obra de Paulo Leminski, no volume A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski, Imprensa Oficial, Curitiba/PR, 2010, 272 p., organizado por ele]

2)

Acompanhado da Zirigdansk, dizendo seu poema Simpathy for the devil, de seu Criptógrafo amador:

3)

Hoje à noite, às 19h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, com a palestra “Conquistar um império extinto: vida e poesia de Paulo Leminski, de graça e aberta ao público.

O convite é feio, mas verouvir Sandmann vale a pena